FHC ganha popularidade entre frentistas
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 03 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso foi recepcionado com palmas, hoje, no Salão Oeste do Planalto, por cerca de 500 frentistas, contentes com a decisão do governo de impedir a instalação de bombas de combustível self service em postos de gasolina.
FHC prometeu fazer o possível e o impossível para que o Brasil cresça pelo menos 4% em 2000. "Porque nós precisamos gerar milhões de empregos para os brasileiros."
Durante vários trechos do discurso, o presidente conseguiu arrancar aplausos dos frentistas, principalmente quando defendeu que é preciso levar em consideração os efeitos dos avanços tecnológicos sobre os trabalhadores, condenou o "processo selvagem de desenvolvimento pseudo-tecnológico" e classificou a questão do emprego vital para o Brasil. "Um país não vai para frente sem a absorção de tecnologia", disse o presidente, acrescentando, em seguida: "Mas um país também não vai para frente quando a tecnologia não olha para o homem, para o ser humano." "O presidente pode até estar em baixa, mas fez um ato decente para nós frentistas", justificou o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios, Raimundo Miquelino, um dos que aplaudiram o presidente. "Ele assegurou o emprego de 300 mil pais de família; por isso, somos gratos a ele." Para a solenidade, vieram frentistas de Goiás, São Paulo, Rio e Bahia. Além de palmas, no fim do encontro, os frentistas gritaram até palavras de ordem.
Para o presidente, o protocolo que impediu a instalação de bombas self service nos postos por um ano, assinado por representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores do setor, além de garantir emprego, é uma evolução nas relações trabalhistas no Brasil. "Sem que houve modificação legal, houve um acordo coletivo que mudou o modo de relacionamento entre patrões e empregados", disse. "É nessa direção que precisamos avançar mais na nossa legislação trabalhista." Fernando Henrique salientou que o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, enviou ao Congresso medidas que tornam flexíveis as relações de trabalho, "de tal maneira que a convenção de trabalho tenha mais força que tudo" e que "a negociação direta entre patrões e empregados passe por cima de entraves burocráticos, de entraves legais, que muitas vezes impedem uma solução de bom senso".
O presidente também aproveitou a solenidade para comemorar a redução das taxas de desemprego no País nos últimos três meses. "Em comparação com o ano passado, a situação melhorou um pouquinho, mas não podemos nos conformar: precisamos avançar mais na luta contra o desemprego", disse. Ele lembrou ainda a ação do governo na greve dos caminhoneiros e a decisão de renovação do acordo automotivo de São Paulo.
"Concordamos com uma certa redução de impostos com a condição de que as empresas assegurassem emprego, pelo menos até o fim de novembro", comentou o presidente. "É por um Brasil mais justo, por um Brasil mais comprometido com o social que nós lutamos a vida toda." Fernando Henrique disse ainda que um governo democrático "não precisa impor a um lado a vontade do outro", mas não "pode assistir de braços cruzados os processos sociais", tem de assumir "um papel de liderança".
O presidente pediu aos frentistas que na luta democrática por seus direitos levem em conta a necessidade do diálogo com o governo. "Temos todos que nos dar as mãos, uns aos outros, temos que dialogar e temos que chegar a resultados, que, sendo justos, protegendo os mais fracos, sejam também racionais e permitam que o Brasil continue a ser como é: um país cheio de futuro."


