FHC faz balanço do segundo mandato e fala na TV amanhã
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Gustavo Paul e Doca de Oliveira 
Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso faz amanhã (12) um balanço dos primeiros quatro meses do seu segundo mandato. Gravado na manhã do último sábado no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente e sua família, o pronunciamento à Nação será divulgado por cadeia nacional de rádio e televisão.
Aliviado com a distensão das turbulências econômicas provocadas pela desvalorização do real - com a recuperação da moeda nacional frente ao dólar e a recomposição da credibilidade do Brasil no mercado externo - e de malas prontas para mais uma rodada de viagens internacionais, Fernando Henrique levará a população um recado otimista, frisando que continua urgente a conclusão do programa de ajuste fiscal.
"O presidente dirá que com unidade e integração entre o governo e o povo, consegue-se resultados positivos", disse o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga. "Ele vai reforçar a tese de desenvolvimento com estabilidade economica", acrescentou o ministro, que preferiu não adiantar os pontos que serão abordados pelo presidente durante o pronunciamento.
Fernando Henrique deverá comemorar, junto com a população, a superação da fase mais aguda da crise - em que o dólar flutuou e subiu às alturas - e a reversão do ímpeto inflacionário.
O presidente também fará um relato das ações mais importantes desses primeiros 100 dias de governo e pedirá empenho na continuidade do programa de estabilidade fiscal. Fernando Henrique deverá agradecer ao Congresso Nacional pela aprovação das medidas de ajuste com a urgência ditada pela crise e frisará para a população a necessidade de empenho contínuo para colocá-las em execução.
Em seu pronunciamento, o presidente deverá manter o tom de suas intervenções dos últimos dias, misturando pitadas de otimismo - do tipo o pior já passou - com cobranças de responsabilidade pelo avanço do País rumo à estabilidade.
É certo, porém, que Fernando Henrique evitará tocar em temas polêmicos, como as comissões parlamentares de inquérito (CPIs) - a do Judiciário e a do Sistema Financeiro - que estarão funcionando no Congresso a partir desta semana. A avaliação do governo, comentou Pimenta da Veiga, é que, embora tivesse sido melhor não se ter instalado CPIs no Congresso, o governo não pode parar por causa dessas investigações.
"O governo tem amplas explicações para as questões que venham a ser colocadas pela CPI", afirmou o ministro, referindo-se às investigações do sistema financeiro, cuja CPI será instalada na quarta-feira.
Roteiro - O ministro das Comunicações vai acompanhar o presidente no seu roteiro de viagens internacionais, que começa pela Alemanha, onde estará a partir de quarta-feira. O ministro vai assinar acordos na área de telecomunicações em Portugal.
Suspensas no ano passado, quando os efeitos da crise financeira internacional comprometeram a estabilidade da economia brasileira, culminando na desvalorização do real, as viagens internacionais do presidente serão retomadas neste ano com toda a força. A idéia é levar aos investidores estrangeiros uma mensagem positiva sobre o Brasil e mostrar que o País está conseguindo superar a crise econômica.
Depois da Alemanha, Fernando Henrique segue para Portugal e Inglaterra, os três países europeus com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas, políticas e comerciais mais sólidas.
Além do ministro, o presidente levará na bagagem informações consistentes sobre a recuperação da economia brasileira, para reiterar que a situação está sob controle. Na agenda, são cerca de dez dias de viagem, estão previstas reuniões e encontros informais com chefes de Estado, empresários
investidores, lideranças e formadores de opinião destes países.
Fora da programação original, a Inglaterra foi incluída no roteiro por ser o principal centro financeiro mundial. Além de encontro com empresários e investidores britânicos, Fernando Henrique vai encontrar-se com o primeiro-ministro, Tony Blair. Na Alemanha, o presidente terá o seu primeiro encontro pessoal com o primeiro-ministro Gerhard Schrder.
O principal tema das conversas será o avanço nas relações entre o Mercosul e a União Européia, interesse já manifestado tanto pelas autoridades governamentais alemãs, quanto pelo empresariado do país.
Em Portugal, o presidente também tem encontros agendados com empresários, mas a ênfase da visita será política, em especial discussões sobre a evolução da social democracia e da criação de uma terceira via política.
Na audiência ao presidente de Portugal, Jorge Sampaio e no jantar oferecido pelo primeiro-ministro português, Antonio Guterrez, o presidente conversará sobre as comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil pelos portugueses e terá, no domingo, uma programação privada e cultural, ao lado da primeira-dama Ruth Cardoso.
O presidente retorna ao Brasil no próximo dia 21.


