Brasília, 17 (AE) - Um encontro de trabalho com o primeiro-ministro alemão, Gerhard Schr”der, no dia 15, marcará a primeira viagem internacional do presidente Fernando Henrique Cardoso neste segundo mandato."A idéia geral seria aproveitar que a ida à Europa contribuísse para a divulgação da imagem do Brasil", afirmou um assessor do governo.
Na agenda, além da visita à Alemanha, Fernando Henrique também irá a Portugal e a um terceiro país europeu "de boa repercussão internacional". Neste terceiro País, o presidente poderia reforçar, a empresários e investidores, que a economia brasileira está conseguindo se recuperar depois da crise de janeiro que provocou a desvalorização do real.
Mas a ida à Inglaterra ou a outro país ainda depende de o governo brasileiro conseguir acertar a agenda do encontro. Quando não se trata de uma visita pessoal, é preciso, primeiro, um convite formal do país e um sinal positivo de que há data para receber o presidente. "Seria interessante também que o terceiro país tivesse boa repercussão internacional para que as palavras do presidente brasileiro tenham visibilidade." Na primeira visita, à Alemanha, a ênfase será econômica e o principal tema o avanço nas relações entre o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a União Européia (UE). A conversa entre Fernando Henrique e Schr”der terá como atenção central a cúpula da América Latina, Caribe e União Européia que acontecerá em julho, no Rio. No âmbito da cúpula, haverá reunião paralela entre o Mercosul e a UE para tentar garantir a assinatura de um acordo de livre comércio entre os dois mercados, previsto deste 1995.
A Alemanha, dentro do rodízio entre os países europeus, está exercendo a presidência da UE e é a principal aliada do Brasil e do Mercosul na assinatura deste acordo porque vem defendendo o fim da política agrícola comum no mercado. Na Europa, a maior parte dos produtos agrícolas são subsidiados pelo governo, o que prejudica as relações comerciais e a competitividade de produtos estrangeiros. A maior resistência ao fim da política de subsídios aos produtos agrícolas vem da França.
Além do tema Mercosul, o Brasil também tem interesse em incrementar o comércio com a Alemanha, que hoje é o principal parceiro econômico europeu e o terceiro em termos gerais. O volume de comércio entre os dois países em 1998 ficou em US$ 7,5 bilhões e os investimentos alemães no Brasil são da ordem US$ 10 bilhões. Por isso, além do encontro com Schr”der, Fernando Henrique também deverá manter encontro com empresários e investidores alemães.
Na visita a Portugal, a ênfase será mais política, embora estejam previstos encontros com empresários para tentar ampliar o intercâmbio comercial entre os dois países. Fernando Henrique terá uma reunião de consultas políticas com o primeiro-ministro português, Antônio Guterrez. Entre os assuntos, estão temas como a independência do Timor Leste, uma vaga para o Brasil na reforma do Conselho de Segurança da Nações Unidas e mais avanços na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

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