Bonn, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, em Bonn, momentos antes de embarcar para Lisboa, que a declaração do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, à CPI dos Bancos, de que é impossível provar que não houve vazamento de informações quando da desvalorização do real, é "uma afirmação lógica", mas não necessariamente verdadeira. "É uma afirmação lógica, mas não é de fato e esse é o embaraço da situação", disse, argumentando que para certas questões colocadas em dúvida não há como dizer categoricamente que são falsas.
"Só ao levantar a dúvida você já incrimina, por causa de uma espécie de armadilha lógica que existe na questão", declarou. O presidente disse que não pode se referir ao caso do Banco Marka como "escândalo" porque não sabe o que aconteceu. "Quero ver o relatório do Banco Central para saber, mas não posso de antemão julgar", disse o presidente. Segundo ele, não se pode acusar o aparelho público de permitir impunidade no caso Marka sem antes se provar que houve culpa. "Há uma vontade permanente de buscar culpados, ainda que antes da prova."
CAYMAN - Fernando Henrique prometeu se empenhar para que o caso do dossiê Caymann não "termine em pizza". Ele disse que a Polícia Federal já dispõe de informações suficientes para colocar "nas barras dos tribunais os que serviram de elo transmissor dessa infâmia". O dossiê foi montado com documentos falsificados para tentar provar que Fernando Henrique e outros três ministros tucanos possuíam uma conta no paraíso fiscal das Ilhas Caymann. Fernando Henrique disse que a PF está buscando "solidez das informações" e cumprindo rigorosamente os procedimentos previstos na legislação penal e no sistema judiciário brasileiro para evitar a anulação das provas.
ACM - Fernando Henrique também tentou encerrar a polêmica com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ontem reclamou de declarações do presidente afirmando que a reforma do Judiciário era mais importante que a CPI liderada por ele, e acusou Fernando Henrique de dar mais uma "declaração infeliz" em suas viagens ao exterior. O presidente atribuiu a polêmica a um mal entendido e disse que para ele, tanto a CPI, quanto à reforma são importantes. Mas ironizou ao declarar: "Eu duvido que o senador Antônio Carlos tenha reação explosiva, não é do seu temperamento", alfinetou. "Acho que ele não foi informado do contexto da minha afirmação, eu não visava a diminuir a importância da CPI, ele tem de ouvir a mim, de viva voz."

mockup