FHC exige coordenação das ações de combate ao narcotráfico
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Isabel Braga 
Brasília, 14 (AE) - Ao empossar hoje o ministro da Justiça, José Gregori, o presidente Fernando Henrique Cardoso exigiu a coordenação das ações de combate ao narcotráfico e crime organizado e segurança pública. "A sociedade não quer saber, burocraticamente, se tal ou qual atribuição é deste ou daquele", afirmou o presidente.
"Hoje, a sociedade brasileira reclama o fim da violência, do crime, da corrupção e da impunidade e o Ministério da Justiça é partícipe ativo desse processo." A falta de entendimento entre a Polícia Federal (PF), ligada ao Ministério da Justiça, e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), fez com que o presidente demitisse dois colaboradores esta semana: o ex-ministro José Carlos Dias e o ex-secretário Wálter Maierovicht. Fernando Henrique afirmou que o combate ao narcotráfico, crime organizado e violência não pode ser considerado um atributo específico "dos Estados, da União, desse ministério, daquele ministério".
"É uma tarefa de todos nós que tem de ser feita com a vocação de serviço e de coordenação e não com a vocação burocrática de saber: até que ponto eu vou?; até que ponto vai o outro?", determinou. Desde que foi criada, em 1998, a Senad vem disputando com a PF a competência pelo combate ao crime organizado, sem conseguir executar um trabalho articulado.
No discurso, Fernando Henrique criticou indiretamente a postura de Dias, ao fazer elogios ao novo titular da pasta. Fernando Henrique destacou que Gregori "não se sente diminuído ao compartilhar responsabilidade", "é um homem afeito ao trabalho em equipe" e "sabe que, em certos momentos, menos do que o brilho pessoal, é (necessária) a capacidade de entender a situação e de (trabalhar) em conjunto" para resolver "os muitos problemas que temos".
Fernando Henrique falou sobre as "disputas de vaidade" que afetam os que ocupam o poder e provocam as demissões desta semana. Segundo o presidente, pelas qualidades que possui, seria natural que Gregori tivesse se perguntado: "Por que não eu (ser escolhido como ministro da Justiça)?".
O presidente respondeu que, em vez disso, Gregori entendeu as razões políticas e contribuiu para a criação de um "clima de harmonia" no governo.
"Dizem que tanto ele (Gregori), quanto eu somos pavões", comentou o presidente, provocando risos dos convidados. Para o presidente, a vaidade é inerente ao poder, mas precisa ser uma "vaidade aberta, sem maldade". Segundo Fernando Henrique, as disputas de vaidade não podem se transformar "em maledicência que prejudica o outro, mas, simplesmente, o olhar no espelho que, muitas vezes, até assusta, porque não se é tão bonito assim", acrescentou.
A única vez que o presidente citou o nome de Dias no discurso foi para enaltecer o "esforço" dele na modificação do Código Penal. "Teve um trabalho intenso de agrupar pessoas para que nós pensássemos com maior modernidade e atualização a questão dos nossos códigos", elogiou o presidente, para acrescentar, em seguida, que a tarefa precisa ir além disso: "É também responsabilidade do Ministério da Justiça a luta contra a impunidade e a violência."
Segundo o presidente, a luta em favor dos direitos humanos é a marca principal do novo ministro da Justiça. "Hoje, os brasileiros têm orgulho de dizer que, sim, há injustiças no Brasil, há tropelias, há violência, mas ela não é coonestada (disfarçada) pelo poder público", afirmou. "O poder público faz o que pode para limitá-la, para sancioná-la, para reprimí-la."
Fernando Henrique ressaltou ainda a cooperação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara na luta pelo cumprimento das leis no País. De acordo com o presidente, mesmo sendo presidida por parlamentares de oposição ao governo, a comissão nunca transformou a batalha pelos direitos humanos numa "briga política menor, uma oposição meramente partidária".
Ao encerrar o discurso, Fernando Henrique disse a Gregori que ele sempre contará com o apoio dele e a cooperação dos demais ministérios. O presidente afirmou saber que a tarefa de Gregori, de "recuperar a tranquilidade da família brasileira", não será fácil. Ele disse também que a amizade entre os dois "continuará inabalável".
A posse de Gregori contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, e primeira-dama Ruth Cardoso, entre outros convidados.


