FHC evita comentar caso do Banco Marka
Colônia, Alemanha, 15 (AE) - Em entrevista concedida aos jornalistas brasileiros, após o encontro com empresários alemães
o presidente Fernando Henrique Cardoso evitou fazer comentários sobre o caso do Banco Marka. "Cabe à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) investigar isso", disse o presidente, referindo-se à CPI dos Bancos do Senado. Segundo ele, não há nenhum problema se a CPI quiser saber mais detalhes sobre o Proer. "O Proer hoje é gabado no mundo todo; não vejo nada de errado; pelo contrário; se quiseram mais alguns esclarecimentos é bom dar; mas o que eu acho que não convém é transformar um assunto dessa magnitude em alguma coisa, aspas, suspeita, porque não há suspeita nenhuma." "Hoje, o que está se pedindo é que os outros países façam o que o Brasil fez: claro como é o Proer e na defesa do sistema financeiro, e não de bancos e de banqueiros", afirmou. Na palestra aos empresários alemães, o presidente referiu-se também ao Proer, afirmando que o programa foi um dos principais ativos para superar a crise financeira. Ele lembrou que, no início, foi difícil explicar o Proer à população. "Não é e nunca foi fácil fazer isso; mas os proprietários foram expropriados; o que fizemos foi salvar a saúde do sistema financeiro e não salvar a riqueza dos bancos", ressaltou. Fernando Henrique disse que não pode precisar se a reforma tributária estará concluída até o fim deste ano. Em entrevista concedida em Colônia, o presidente disse que o governo brasileiro está fazendo todos os esforços e interessado na aprovação da reforma tributária, que é complexa. "O governo já tomou todas as medidas necessárias, vai dialogar com o Congresso Nacional", disse o presidente, acrescentando que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, com o apoio do Secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, é quem vai dialogar com o Congresso. Ele lembrou que conversou com o presidente da comissão especial, o deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), e que, assim que retornar ao Brasil da viagem à Europa, chamará o relator Mussa Demes (PFL-PI), "para ver como ele percebe as questões". "Mas seria muito arriscado e errado imaginar que a reforma tributária tem a ver com o ajuste fiscal", ressaltou o presidente. "São coisas de natureza diferente; o ajuste tem a ver com o equilíbrio das contas públicas, nós temos um programa de três anos e o Congresso deu todos os elementos para fazer esse ajuste." "Agora, a reforma tributária é de alcance estrutural; tem a ver com o futuro do Brasil; tem a ver com a facilidade de investimentos, com auxílio à produção", explicou. "Eu digo isso porque não quero que, amanhã ou depois, se use o fato de ter ou não aprovado a reforma tributária como pretexto para manobra de mercado", acrescentou.





