FHC está "muito preocupado" com situação na Febem
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
por Hugo Marques 
Brasília, 26 (AE) - As constantes rebeliões na Febem de São Paulo, que resultaram na morte de quatro menores na segunda-feira, deixaram o governo federal em estado de alerta. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso está "muito preocupado" com a questão, segundo o secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, que hoje anunciou a disposição do governo federal em ajudar Mário Covas a reverter a situação, qualificada por ele como de "calamidade pública".
Gregori admitiu que a preocupação com as constantes rebeliões em São Paulo se deve também ao fato de que Mário Covas é um nome muito importante para o PSDB, o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso. A preocupação dos tucanos, segundo outros colaboradores do presidente, é que as constantes rebeliões e agora as mortes de menores em São Paulo causem estragos irreversíveis na imagem de Covas, com possíveis respingos na imagem do presidente Fernando Henrique, de quem é amigo.
Covas é um dos principais nomes do partido para disputar as próximas eleições presidenciais e pode ajudar a definir as eleições do ano que vem para as prefeituras. A avaliação que é feita dentro do Palácio do Planalto é que alguns problemas estaduais tem repercussão direta para o governo federal, principalmente ser for aliado do presidente Fernando Henrique. As 19 mortes de sem-terra em Eldorado do Carajás (PA), em 1996, e 12 sem-terra em Corumbiara (RO), em 1995, causaram estragos para a imagem do governo no exterior.
Emergência - José Gregori disse que o governo federal está disposto a participar de um "plano emergencial" com os governos Estadual e muncipal, organizações não-governamentais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicatos, universidades, Judiciário e até "credos religiosos". Hoje, Gregori telefonou para o Governo de São Paulo e informou que está disposto a enviar ao Estado a coordenadora do Departamento da Criança e do Adolescente, Olga Câmara, para ajudar a elaborar medidas de emergência. Gregori disse que se o governador quiser poderá dar um prazo de 120 dias para que Olga reverta a situação em São Paulo.
Entre as medidas que Gregori sugere estão algumas que estão sendo discutidas pelo governo de São Paulo. Gregori acredita que é necessário dividir os jovens que estão internados na Febem em grupos de 100, por faixa etária e periculosidade, em locais diferentes, uma idéia do próprio governador Covas. Agrupados, Gregori acredita que os jovens representem "chama acesa" pronta a "repetir tragédias".
O secretário nacional dos Direitos Humanos disse que é necessário discutir soluções para o problema dos menores infratores no País, mas afirmou que a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos não resolve este tipo de problema. "Não vejo como um problema desses deixaria de existir", disse, "se você tivesse diminuido a maioridade penal".


