FHC entrega prêmio de Direitos Humanos
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2002
Sandra Sato<BR>Agência Estado 
Brasília - Aos 90 anos, a militante Ana Montenegro conseguiu surpreender o presidente Fernando Henrique Cardoso, ontem, durante a cerimônia de entrega do 8º Prêmio dos Direitos Humanos, no Palácio do Planalto. ''A luta continua por pão, terra e trabalho. Um País que tem isso tem liberdade'', disse a integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Bahia, umas das premiadas. ''Ela faz coro àquilo que é o pensamento e o sentimento de todos os brasileiros'', elogiou o presidente. Ana foi torturada e exilada política e lutou pela anistia no País.
Outro homenageado foi o bispo de São Félix do Araguaia, dom Pedro Casaldáliga, fundador da Comissão Pastoral da Terra. O embaixador do Brasil em Portugal, José Gregori, recebeu menção honrosa pelo trabalho na área dos direitos humanos. Os ex-presidentes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presentes à cerimônia para também serem homenageados, levantaram-se para aplaudir Gregori. Ao todo foram 22 pessoas e entidades premiadas. Entre elas, os grupos Gay da Bahia e o União e Consciência Negra do Maranhão.
O presidente Fernando Henrique relatou avanços na área de direitos humanos, durante os seus dois mandatos. ''A proteção dos direitos humanos é responsabilidade do Estado'', cobrou, garantindo que houve avanços razoáveis e notáveis. O trabalho começou com o reconhecimento de que ''violências foram exercidas pelo Estado brasileiro'', durante o regime militar. Depois foram assinados 1.200 convênios para garantir o acesso à Justiça, combater a discriminação racial e a violência contra mulher, entre outros.
Fernando Henrique também ressaltou a mudança de mentalidade no País, que agora aceita denúncias do exterior de prática abusiva no Brasil.''Temos de combatê-las e agradecer a quem nos alerta.


