Rio, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso desistiu da idéia de criar um conselho de economistas para assessorá-lo e sugerir rumos para a política econômica do País. Ele avaliou que nesse momento de turbulência na economia não convém discutir, em forum amplo e de opiniões diversas, temas que poderão ou não se transformar em medidas efetivas de política econômica. O risco de tornarem-se públicas discussões ali travadas poderia criar ambiente favorável a especulações no mercado, sobretudo se conflitassem com a política econômica em vigor. "No momento a idéia está em banho maria", afirmou o secretário de Planejamento e Pesquisa, Edward Amadeo, responsável pela organização do conselho.
O presidente já havia convidado para integrar esse conselho os economistas André Lara Resende, que deveria ocupar a presidência, o presidente demitido do Banco Central, Gustavo Franco, e o ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros. Os três aceitaram o convite. Também convidado, o professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), Dionísio Carneiro, não havia respondido ainda. Desde o início do ano, porém, os partidos políticos passaram a pressionar o presidente para também indicarem candidatos. O PFL chegou a anunciar como conselheiros os economistas Paulo Rabelo de Castro e Roberto Campos. Outros partidos políticos começaram a se movimentar para fazer suas indicações.
O sentido original da idéia do conselho começou a ser desfigurado. A intenção do governo era criar um modelo semelhante a outro organismo de governo existente nos Estados Unidos, onde um grupo de economistas de reconhecido saber assessora o presidente e sugere caminhos para a política econômica. Só que lá eles são remunerados pelo governo e proibidos de operar em instituições financeiras ou em atividade de consultoria a empresas. A única atuação permitida é ligada à academia e ao magistério. No Brasil, há enorme carência de quadros com esse perfil, já que virou regra economistas intelectualmente prearados seguirem carreira em instituições financeiras ou vendendo consultoria a empresas. Nesse momento de incertezas e de definições para superá-las, fatalmente o tema central da discussão de tal conselho seria a conjuntura econômica e formas para vencer a crise. Seria arriscado fazer isso com pessoas de fora do governo, descompromissadas da função pública.

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