Mossoró, RN, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu hoje à primeira manifestação enfrentada por ele contra o aumento do salário mínimo. Ele foi obrigado a gritar para ser ouvido em praça pública, durante a inauguração da Adutora Jerônimo Rosado, em Mossoró (RN), e contra-atacou, chamando os cerca de 200 manifestantes que empunhavam bandeiras do PT, de "mal-educados" e "pobres inocentes". "É preferível ouvir os brados da má educação do que botar gente na cadeia", afirmou o presidente, lembrando que é um democrata e que "não é com gritos e apitos" que se alcançam os objetivos.
Empunhando faixas com os dizeres "FHC não vale um salário mínimo", os manifestantes, primeiro, tentaram invadir o aeroporto onde o presidente desembarcou, mas foram dispersados com cassetetes pelo imenso contingente policial convocado para trabalhar na cidade. Depois, na Praça do Povo, onde foi realizada a cerimônia, os manifestantes cantaram, gritaram e viraram de costas para o palanque, exigindo dos oradores um enorme esforço para fazer o discurso. O presidente ficou rouco.
"Deus perdoe os pecados destes cujo barulho não nos deixa ouvir nada", berrava o presidente, no início do discurso, acrescentando que aqueles ali (os manifestantes) não sabiam o que era dificuldade e não tinham noção do que era a importância de receber água nas casas, porque nunca deveriam ter enfrentado dificuldades.
"O Brasil não é de estrepulias de pessoas que não sabem o que pedir ou o que falar", declarou o presidente, avisando que ia atender ainda ao pleito da prefeita da cidade, de construir uma usina para dar mais água para a população do Estado que visitava pela quarta vez.
"Nada vai me afastar do rumo", prosseguiu o presidente
que prometeu manter o controle da inflação, dar mais educação, mais água". "Se estes pudessem ouvir o que dizemos, saberiam que o Brasil vai para a frente", acrescentou ele, que disse ao ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, que é senador pelo Rio Grande do Norte, que convença as demais autoridades da necessidade de executar o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.

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