FHC enfrenta guerra política envolvendo CPIs
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Cláudia Carneiro e Tânia Monteiro 
Brasília, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso terá de enfrentar a partir de amanhã (22), depois de uma semana viajando pelo exterior, uma verdadeira guerra política que envolve o governo e seus aliados, atrás do palco da CPI dos Bancos. Embora tenham sido o PFL e o PMDB os responsáveis pela criação de CPIs que hoje atormentam o sono de Fernando Henrique, é o PSDB quem está sendo acusado de não ajudar o governo a controlar a onda de investigações da CPI, que levanta sérias dúvidas sobre a atuação do Banco Central.
Para alguns dos auxiliares diretos do presidente, o poder de fogo do governo para conter o ímpeto de uma CPI tem seu limite nos fatos que vão surgindo no meio das investigações, como os bilhetes e documentos que comprometem o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. O governo vê-se no dever de determinar a investigação dos fatos, exatamente porque não pode fugir deles.
Até memo o ministro da Justiça, Renan Calheiros, que no fim de semana ainda criticava severamente a atuação do Ministério Público Federal na apreensão dos documentos da casa de Francisco Lopes, reconhece agora a força dos fatos que levaram a CPI a suspeitar gravemente da condução, pelo Banco Central, do processo de socorro a instituições financeiras, na desvalorização do câmbio.
"Queremos discutir as provas, se elas condenam ou não condenam as pessoas envolvidas", afirmou hoje Calheiros. "No momento em que há fatos a serem esclarecidos, a discussão sobre a maneira como as provas foram obtidas passou a ser secundária"
admitiu ele. Ao ministro Renan Calheiros, com quem conversou várias vezes por telefone enquanto esteve na Europa, a recomendação de Fernando Henrique foi investigar tudo o que for preciso. Guerra - "CPI boa para o governo é CPI morta", repetia outro interlocutor do Palácio do Planalto, jogando sobre o PSDB a responsabilidade de estar sendo omisso nas articulações para evitar um avanço desenfreado da CPI dos Bancos. Antes disso, PMDB e PFL culpam os tucanos de não terem evitado a instalação das CPIs dos Bancos e do Judiciário. Segundo um dirigente peemedebista, os autores das CPIs, senadores Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jáder Barbalho (PMDB-PA), teriam dado "a senha" para o presidente Fernando Henrique de que poderiam recuar, se recebessem dele esse pedido.
O presidente não pediu - conta essa mesma fonte -, porque teria sido convencido por tucanos de que o governo poderia sair-se mal do episódio, acusado de ter abafado as investigações. Dirigentes do PSDB fazem uma autocrítica: "O grande erro do partido foi não assumir a presidência da CPI dos Bancos", observou um ministro tucano. Mas o vice-presidente da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que lutou pela presidência da comissão e foi derrotado pelo próprio partido, reage. "Quando a esmola é demais, o santo desconfia", diz ele, referindo-se à oferta feita ao PSDB pelo PFL, para assumir a presidência da CPI.
Hoje, é o próprio autor da CPI quem mais se alinha com o governo, na comissão dos bancos. Jáder Barbalho tem feito oposição a novas quebras de sigilo fiscal e bancário de pessoas do governo e rejeita a convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan. É a maneira como o PMDB tem mostrado "lealdade" ao governo, que conta com a atuação firme do senador peemedebista nas ações da CPI, já que ninguém pode controlar o aparecimento de novos fatos. (Colaborou Diana Fernandes)


