FHC encontra Blair e menciona posição brasileira sobre Kosovo
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Isabel Braga, enviada especial 
Londres, 19 (AE) - O conflito em Kosovo, Iugoslávia, foi um dos temas do encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o primeiro-ministro Tony Blair. Fernando Henrique mencionou a posição brasileira favorável a uma solução política para o problema, a importância de incluir as Nações Unidas no processo e lembrou que o Brasil está representando o interesse da diplomacia da Inglaterra junto à Iugoslávia.
"Eu mencionei que num dado momento do tempo serão necessárias medidas que não sejam apenas de guerra, mas que sejam também de alguma solução", afirmou o presidente em entrevista coletiva concedida após o encontro. Segundo o presidente, quando ele mencionou a necessidade de se buscar uma solução via Nações Unidas, Tony Blair lembrou ter falado ontem com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
"Ele disse que também está pensando numa solução em que possa por um termo não apenas militar, embora do ponto de vista da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) a questão militar já esteja em marcha", afirmou Fernando Henrique. "Mas toda gente sabe que é preciso chegar a uma solução que salvaguarde os interesses dos que habitam Kosovo e haja condições para que se evite esses massacres que tem ocorrido lá."
Coincidência - Além do problema na região de Kosovo, Fernando Henrique e Tony Blair também conversaram sobre a uma solução para o conflito no Timor-Leste, sobre as relações entre União Européia (UE) Mercosul. Blair convidou Fernando Henrique para voltar à Inglaterra em meados de junho deste ano para participar de encontro que está promovendo sobre a chamada Terceira Via, uma alternativa de poder entre políticos esquerda e direita que seria ocupada pela social democracia.
Fernando Henrique deixou o encontro enfatizando que é "muito grande a coinciência" dos seus pontos de vista sobre vários assuntos com os pontos de vista do primeiro-ministro inglês. Amanhã, o presidente recebe na residência da embaixada em Londres quatro intelectuais ingleses para discutirem o "futuro da social democracia": Alfred Stepan, professor do departamento de Ciência e Política de Oxford; David Milliband, chefe de gabinete e principal formulador político do governo Blair e mentor e conceito da Terceira Via; Will Hutton, editor do jornal de esquerda inglês The Observer e John Gray, professor de filosofia política do Instituto Europeu da London School of Economics and Political Science.


