Brasília, 31 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso, ao discursar há pouco na cerimônia de posse de Gilmar Mendes na chefia da Advocacia-Geral da União (AGU), elogiou o antecessor dele no cargo - o atual ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão - pelo trabalho de planejamento do órgão. Fernando Henrique citou Quintão pelo "espírito público sempre presente" na condução das análises técnico-jurídicas. Disse que tanto Quintão como Mendes se enquadram no perfil ideal para o cargo - que exige uma pessoa "destemida, cautelosa, porém firme
com conhecimento jurídico e integridade pessoal". O presidente observou que, hoje em dia, o servidor público, além de não ter "os louros" da remuneração, é "incompreendido e não tem o reconhecimento público devido". Segundo Fernando Henrique, a AGU é um órgão muito importante para o reordenamento jurídico do País em consequência das reformas constitucionais. O presidente disse que o Executivo, no âmbito da AGU, tem de ter respeito pela Suprema Corte e demais instâncias do Poder Judiciário, mas tem de levar em conta que atua em defesa da sociedade. FHC acrescentou que a AGU, com a atuação de Quintão, conseguiu trazer de volta para o Estado "recursos consideráveis, até materiais". Lembrou dos planos econômicos do passado, que demandaram ações judiciais, obrigando o Estado a pagar somas vultosas, talvez porque o Executivo não tivesse na época uma estrutura para se defender de forma competente. Fernando Henrique disse que não iria comentar a questão das medidas provisórias (MPs), ao falar do reordenamento jurídico, porque ainda vai discutir esse assunto com o Congresso. Quando o presidente saía da solenidade, no Palácio do Planalto, um jornalista perguntou-lhe sobre a declaração do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, de que, se fosse o responsável pelo julgamento de Fernando Henrique, ""votava por passar o fogo nesse sujeito". Sem responder à pergunta, o presidente saiu rapidamente.

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