Ipatinga, MG, 26 (AE) - Sem a presença do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e do vice-governador Newton Cardoso
o presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou hoje, em Ipatinga, a nova linha de laminados da Usiminas. Em seu discurso
Fernando Henrique lembrou que Minas Gerais tem hoje o segundo Produto Interno Bruto nacional e que alcançou este resultado, "graças ao povo mineiro", sem fazer qualquer referência a Itamar, de quem foi ministro da Fazenda e recebeu a Presidência.
"Podem os mineiros ter certeza de que, enquanto eu for presidente da República, sejam quais sejam as condições políticas, que importam pouco - o que importa é o Brasil e o povo - eu apoiarei Minas, apoiarei o povo de Minas e estarei disposto a continuar financiando tudo que for bom para Minas Gerais", disse o presidente. Fernando Henrique referia-se ao rompimento de relações com o governador mineiro, após Itamar decretar moratória do Estado em janeiro, o que, segundo o presidente, teria levado o País à grave crise econômica que culminou com a desvalorização do real. O único representante do governo estadual na cerimônia era o secretário de Minas e Energia,Paulino Cícero.
Fernando Henrique disse que durante o seu governo "foi possível expandir uma parte importante da indústria que consome o aço de Minas, que é a indústria automobilística". Segundo ele
a produção da Fiat dobrou e foi inaugurada a fábrica da Mercedes Benz em Juiz de Fora. O presidente disse que o Estado vai continuar crescendo porque "o Brasil precisa de Minas, precisa de mais empresas para consumir mais aço, de mais talentos, de gerar mais empregos e de criar mais progresso".
EXPLOSÃO - Cerca de uma hora antes de o presidente chegar à Usiminas, houve uma explosão na tubulação de gás que alimenta o regenerador do alto-forno número 3, localizado a cerca de dois quilômetros de onde Fernando Henrique esteve. No acidente, morreu o eletricista Fábio Roberto Costa da Silva, de 27 anos, empregado da Camargo Correia. Três outros funcionários ficaram em estado de choque e um quarto teve ferimentos leves, de acordo com Ronnel Soua, gerante-geral da Usiminas. Ele descartou qualquer possibilidade de sabotagem, em função da visita presidencial. Ele atribuiu o acidente a uma "fatalidade" e informou que a Polícia Civil está realizando perícia para descobrir as causas da explosão.
O alto-forno, que estava em reforma desde junho, realizava um teste, que já havia sido executado anteriormente sem qualquer problema. Fábio Roberto, que morreu de politraumatismo, estava sobre a plataforma por onde passava a tubulação que explodiu, e fazia lançamento de cabos elétricos, serviço que nada tinha a ver com o teste do forno.

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