FHC elogia Carvalho e diz que demissão se deve a clima político
Manaus, 4 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, pouco antes de se encontrar com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que o Brasil deve ao ministro demitido Clóvis Carvalho, seis anos de esforço continuado. "Mas é que, muitas vezes, a batalha na vida política tem efeitos negativos inesperados, como no caso dessas declarações", afirmou Fernando Henrique, referindo-se às críticas feitas por Carvalho ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante o seminário "Desenvolvimento e Estabilidade", promovido pelo PDSB na quinta-feira.
"O homem é decente, o homem é trabalhador, foi um homem que ajudou muito a consolidação do Plano Real e, se não fossem os avatares da vida política, continuaria no governo", afirmou Fernando Henrique, que estava com feição abatida. "Esses avatares vieram provocar os efeitos negativos que infelizmente me fizeram tomar a decisão de aceitar a demissão."
Segundo o presidente, que falou rapidamente aos jornalistas, mas não permitiu que perguntas fossem feitas, no campo pessoal e profissional, só tinha palavras positivas a Carvalho. "Mas o presidente da República tem que atuar, em certos momentos, independentemente de seus sentimentos de amizade e até mesmo de consideração pessoal, que deve a todos os seus colaboradores", disse. "O presidente tem que atuar pensando no objetivo do País."
Fernando Henrique voltou a pregar a união de todos para enfrentar os problemas atuais. "O Brasil precisa, mais do que nunca, de unidade". Segundo ele, o Brasil tem que enfrentar problemas "ainda sérios na realização do orçamento, na transformação de nossa vontade de crescimento em crescimento efetivo".
Congresso - O presidente aproveitou para fazer uma nova cobrança ao Congresso Nacional e pediu aos parlamentares tenham sensibilidade e votem as leis necessárias ao desenvolvimento do País. "Toda a gente sabe quais são essas leis", disse. Se elas forem aprovadas, afirmou Fernando Henrique, a economia do País crescerá 4% no ano que vem.
O presidente disse que o povo está impaciente e que ele queria juntar a sua própria impaciência à do povo. "Eu terei persistência para levar adiante os propósitos que anunciei no Plano Avança Brasil, assim como tive essa determinação que pessoalmente muito me custou mas que a fiz com consciência de mudar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior."
Fernando Henrique encontrou-se com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para discutir as relações econômicas entre os dois países e a proposta da Venezuela de intermediar um acordo entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) e se colocar como mediadora da crise política da Colômbia.
Fernando Henrique Cardoso embarcou hoje mesmo de volta a Brasília, onde amanhã (5) pela manhã participa da cerimônia de substituição da Bandeira Nacional e da abertura da Semana da Pátria, na Praça dos Três Poderes.Por Lige Albuquerque ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca contém informações que já seguiram em REFORMAS/FHC.





