São Paulo, 28 (AE) - Os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Ernesto Zedillo, do México, marcaram para julho a primeira reunião de trabalho para iniciar as negociações de um acordo de livre comércio entre os dois países - em 1998, limitado a US$ 2 bilhões. O último acordo venceu há dois anos e não foi renovado. Zedillo anunciou o encontro durante um almoço na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo com cerca de 200 empresários brasileiros e mexicanos.
Na definição do presidente mexicano, esse acordo seria "temporário". "Deve ser visto como transitório uma vez que nossa meta tem de ser a integração de toda a América Latina", disse Zedillo. "É necessária uma visão de longo prazo."
Fernando Henrique comparou os índices de exportação de ambos os países para reforçar a necessidade de incremento do comércio exterior brasileiro. "O México, com um Produto Interno Bruto de cerca de US$ 400 bilhões, exporta quase US$ 120 bilhões; o Brasil, com US$ 800 bilhões, exporta pouco mais de US$ 50 bilhões."
Ele atribuiu as razões que levaram o México e Brasil a sucessivas crises ao "descontrole de fluxos financeiros que não estão casados com a economia real". Fernando Henrique reivindicou a definição de políticas internas e externas fortes - de todas as nações - para submeter as transferências de recursos a regras claras, em especial de transparência. Os "efeitos maléficos da globalização", segundo ele, "sacudiram" o México em 1995, a ásia em 1997, a Rússia em 1998 e "um pouquinho" o Brasil em 1999.
Representados pelos presidentes da Fiesp, Horácio Lafer Piva e do comitê de comércio bilateral, Enrique Madero Bracho, os empresários cobraram de seus governos a participação nas negociações e maior facilidade na obtenção de vistos de permanência em ambos os países.

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