O presidente Fernando Henrique Cardoso gastou cerca de três minutos ontem pela manhã para responder o questionário resumido do Censo 2000, com seis perguntas básicas. FHC foi o primeiro a ser oficialmente recenseado no Distrito Federal, trabalho que deve durar até outubro em todo o País.
Ao todo, o IBGE espera visitar cerca de 42 milhões de residências no País e recolher dados dos 167 milhões de habitantes presumíveis. ‘‘O preenchimento correto do censo é muito importante porque, a partir desses dados, por exemplo, haverá a distribuição de recursos para os Estados e municípios’’, afirmou FHC, após concluir a entrevista.
O presidente citou como exemplo a repartição do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados, em que metade do que é arrecadado é distribuído aos Estados e municípios. ‘‘E essas regras implicam a distribuição proporcional, também, ao número de habitantes’’, completou.
Apenas 10% dos entrevistados deverão responder o questionário mais completo, que tem 67 itens. A escolha do domicílio será aleatória, de acordo com uma projeção calculada pelo IBGE. Em cidades com até 15 mil habitantes, a amostragem será de 20%.
FHC pediu que as pessoas colaborem ao responder o censo. ‘‘Ele é sigiloso. As informações contidas nesses documentos jamais virão a público individualizadas, ninguém vai saber quem respondeu o qu꒒, disse FHC.
Para garantir a segurança dos entrevistados, cada um dos aproximadamente 220 mil recenseadores portará um crachá de identificação, com fotografia digitalizada. ‘‘Isso é fundamental para evitar que pessoas que não são do censo penetrem nas casas dos brasileiros’’, disse o presidente.
Caso haja desconfiança quanto à identificação do recenseador, o IBGE manterá um plantão pelo telefone 0800-21-81-81 (ligação gratuita), que poderá descrever até mesmo fisicamente o entrevistador.
Distritos Quarenta e um municípios criados no País de 1996 em diante ainda são considerados distritos no Censo 2000. As localidades só ganharão status de cidades depois das eleições municipais, quando terão pela primeira vez prefeitos e vereadores. A partir de janeiro de 2001, já como municípios, terão divulgados dados oficiais, como índice de analfabetismo, de urbanização ou de crianças na escola.
‘‘Para a coleta de dados, trabalhamos com o número de 5.507 municípios que existem este ano, mas nos preparamos para divulgar os dados de 5.548 cidades oficialmente reconhecidas, ano que vem’’, diz o diretor-executivo do IBGE, Nuno Bittencourt, coordenador do censo nacional.
Nos preparativos para as eleições municipais, o Tribunal Superior Eleitoral já trabalha com o número de 5.548 cidades. Brasília não entra na contagem porque não tem eleição para prefeito e vereador e, no IBGE, é considerada Distrito Federal e não município.
A maioria das novas cidades (ainda governadas pelos prefeitos dos municípios à qual pertenciam) fica em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. Os 41 municípios somam cerca de 220 mil eleitores. O maior fica no Estado do Rio. É Mesquita, com 106 mil eleitores e cerca de 200 mil habitantes, que emancipou-se de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A contagem da população brasileira começou ontem, para surpresa de boa parte dos entrevistados, especialmente dos bairros pobres. Em São Paulo, o trânsito foi responsável pelo atraso no início dos trabalhos dos recenseadores em alguns bairros da zona oeste. Os kits com questionários, lapiseiras, mapas, bolsas e crachás dos pesquisadores demorou a chegar em alguns pontos de distribuição e a pesquisa só começou no início da tarde.
‘‘Mesmo com o atraso, o censo começou em todos os pontos da cidade’’, informou Bittencourt.

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