FHC e Menem vão discutir situação do Mercosul na crise
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quarta-feira, 03 de fevereiro de 1999
Por Liliana Enriqueta Lavoratti 
Brasília, 03 (AE) - Os presidentes do Brasil e Argentina, Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, vão se reunir no próximo dia 12, provavelmente, para discutir os reflexos da desvalorização do Real sobre a economia argentina. O encontro poderá ser ampliado, com a presença dos demais parceiros do Mercado Comum do Sul (Mercosul), a pedido dos presidentes Julio Maria Sanguinetti e Raul Cubas, do Uruguai e Paraguai, respectivamente. O local está previsto inicialmente para a cidade de São Paulo.
A agenda da reunião entre os quatro presidentes ainda está sendo combinada, mas os preparativos estão bem adiantados por parte da Argentina e Brasil. No início da próxima semana desembarcará em Brasília uma missão argentina, chefiada pelo secretário de Indústria, Alieto Guadagni, e pelo secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell.
Entre os parceiros do Mercosul, a Argentina é a mais afetada pelas mudanças da política cambial no Brasil, por causa do elevado volume de comércio bilateral. O comércio intra-Mercosul depois das mudanças no regime cambial brasileiro será o tema prioritário da reunião. No entanto, os presidentes também deverão reiterar o compromisso de aprofundamento do processo de integração. O aumento das exportações brasileiras e a queda das importações brasileiras de mercadorias dos países vizinhos são o foco das preocupações atuais.
Compensações - Essa nova realidade deverá resultar na reivindicação, principalmente por parte da Argentina, de algum tipo de compensação do Brasil para neutralizar os efeitos da desvalorização do Real. Uma idéia que poderá se transformar em uma reivindicação ao Brasil é o fim dos financiamentos do Proex para os produtos exportados aos parceiros do Mercosul. O Proex é visto como uma espécie de subsídio nas exportações.
Com a desvalorização do Real frente ao dólar, os produtos brasileiros se tornaram mais competitivos do que os fabricados pelos parceiros do Mercosul. Ao mesmo tempo, os países vizinhos vão exportar menos para o Brasil por causa da recessão da economia prevista para este ano.
Na Argentina, por exemplo, duplicou nos últimos 15 dias a média diária das importações que chegam àquele país oriundas do Brasil
de acordo com informações divulgadas pelo secretário de Indústria, Alieto Guadagni. Ao mesmo tempo, os empresários argentinos estão preocupados com a queda das exportações para o Brasil, que atualmente consome cerca de 30% das vendas externas da Argentina.
De acordo com projeções da Embaixada da Argentina em Brasília, as importações de produtos argentinos pelo Brasil vão cair este ano em vários setores, em relação aos volumes projetados antes da desvalorização. Os bens de consumo duráveis e automóveis deverão ser os mais afetados - com quedas de cerca de 40% - seguidas dos bens de consumo não-duráveis (30% a menos), além de matérias-primas e combustíveis (quedas de 10% e 5%).


