Rio, 24 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje ser contra a atuação do Exército no patrulhamento das ruas. "Exército não é polícia, ele coopera quando necessário, mas não tem essa função", afirmou FHC, que esteve hoje no Rio participando da cerimônia de assinatura de contratos da Agência Nacional de Petróleo com empresas privadas. "Não recebi nenhum pedido nesse sentido do governo do Rio".
A afirmativa do presidente contraria o prefeito Luiz Paulo Conde, que desde o início da semana defende a ampliação das atribuições das Forças Armadas. A declaração do prefeito foi considerada "politiqueira" pelo governador Anthony Garotinho (PDT), que hoje não quis comentar o assunto. "O prefeito disse que suas declarações foram mal interpretadas pela imprensa e estou satisfeito com sua resposta", afirmou Garotinho.
Tráfico - Conde tem enviado ofícios a Garotinho, desde o início do ano, pedindo a intervenção da Polícia Militar em favelas em que obras da prefeitura foram interrompidas por ordem do tráfico. "É melhor fazer obra acompanhado de soldados do Exército do que acompanhado de traficantes", chegou a dizer o prefeito, durante a semana.
Hoje o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, disse que a Polícia Militar vai garantir a continuação das obras do programa Favela-Bairro. "Não existem redutos nesse Estado onde a polícia não possa entrar e a cada ação desses grupos criminosos vamos responder com 10, cem, mil ações", afirmou. "O poder tem de estar na mão do governo".
Nos últimos dois meses, o trabalho da prefeitura foi interrompido em oito favelas. "Na Vila do Sapê, na zona oeste, os traficantes pararam as obras na base das armas e ameaçaram os funcionários", contou o comandante da Guarda Municipal, coronel Paulo César Amêndola. Em junho desse ano o funcionário da prefeitura Eduardo da Conceição, de 20 anos, foi ferido com um tiro de fuzil quando chegava para trabalhar, no Morro do Cruz, na zona norte, onde ele e outros operários pavimentavam uma rua. Ele foi atingido por bala perdida, num acerto de contas entre traficantes. Naquele dia não houve trabalho.
Amêndola citou outras áreas em que o tráfico atrapalhou as obras, recentemente: Morro do Cerro-Corá, na zona sul, Tuiuti e Chácara de Del Castilho, ambos na zona norte. "Os traficantes fecham as ruas com correntes para impedir que as máquinas trabalhem", contou o coronel, ressaltando que a Secretaria de Segurança já está "administrando essa situação".
Quintal disse ainda que "vê com bons olhos" o armamento da Guarda Municipal. "Não vamos criar objeções quanto a isso", afirmou. Conde tem um projeto de armar os policiais da Guarda Municipal entre 22 h e 6 horas.

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