FHC é cobrado para reestruturar governo
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo pressionado a fazer uma restruturação no organograma do governo, dois meses depois de iniciar o segundo mandato. O assunto está sendo estudado pelo Palácio do Planalto e a intenção é fazer a mudança o mais rápido possível.
A reformulação será em cima das novas secretarias de governo, mas sem descartar mudanças nos ministérios. Mesmo assim
ainda não se chegou a nenhuma posição conclusiva dentro do governo. "É preciso mudar a estrutura de governo e passar a fazer uma coisa mais enxuta", disse o governador tucano do Ceará, Tasso Jereissati, que hoje esteve com Fernando Henrique.
O governador cearense, conselheiro do presidente, cobra urgência nesse setindo. "Existe uma margem de gordura muito grande nesse governo que precisa ser queimada", criticou Jereissati. "Acho que isso tem de ser feito já e esse é o espírito do presidente", avalia. Ter uma estrutura enxuta era a intenção de Fernando Henrique desde o início. Mas a idéia acabou sendo abandonada pela necessidade de contemplar os partidos da base aliada durante a reforma ministerial de dezembro. Como o governo não tinha novos cargos para oferecer, a estrutura acabou inchando. Na ocasião, a idéia foi criar secretárias para compensar o loteamento político dos ministérios.
Nesse curto espaço, interlocutores do Palácio do Planalto analisam que o modelo criado em dezembro não deu certo. Um segundo fator para esse fracasso é atribuído ao rápido agravamento da conjuntura econômica do País, uma vez que essa estrutura tinha sido elaborada para um quadro bem melhor do que o atual. O resultado concreto é que muitas secretarias, e até mesmo ministérios, como o de Orçamento e Gestão, estão esvaziados. Esse é um dos motivos da saída do ministro Paulo Paiva (PTB), que deverá ser substituído pelo secretário-executivo da Fazenda, Pedro Parente.
Dentro do PTB, a todo instante, é lembrado que o Programa Brasil em Ação, única moeda forte que restava para a pasta de Paiva, será prejudicado consideravelmente com os cortes no Orçamento. O governo estuda uma compensação para os trabalhistas terem uma nova moeda política dentro da estrutura ministérial. Mas não um nome representativo no PTB com perfil de ministro.
Outra avaliação negativa que é feita dentro do governo é a sobreposição de funções entre algumas pastas. A Secretaria de Administração e Patrimônio, por exemplo, teria atribuição semelhante à área de gestão do ministério de Paiva. Também se analisa a possibilidade de diminuir o tamanho de algumas secretárias, ou mesmo as extinguir. É o caso da Secretaria de Comunicações, de Andréa Matarazzo. A idéia é restringir as atribuições, limitando tarefas na área de marketing do governo. Mas isso não será feito enquanto ele estiver como o titular da pasta.
O Planalto também pensa em acabar com a tradição de compensar antigos colaboradores com cargos de "consolação". No governo, a criação da Secretaria de Desenvolvimento Urbano para abrigar o ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF) Sérgio Cutolo é considerada um erro. "Existe um fim para todas as missões", observa um interlocutor do presidente.


