Brasília, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, Renan Calheiros (PMDB-AL), devem se reunir hoje para escolher o novo diretor-geral da Polícia Federal. A nomeação seria um ato comum não fosse a controvérsia causada pela escolha anterior, do delegado João Batista Campelo, que desencadeou uma nova crise política no governo. A expectativa é de que a escolha do presidente não recaia em nomes que melindrem os militares nem o PMDB. Mesmo resolvendo esse problema satisfatoriamente, o presidente só terá uma semana mais tranquila do que as anteriores se contornar a crise entre os Poderes Legislativo e Judiciário, causada pelas liminares que desautorizaram a CPI do Sistema Financeiro, suspendendo a quebra dos sigilos e a indisponibilidade dos bens dos envolvidos na operação de socorro do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam.
Hoje, o presidente da CPI, senador Bello Parga (PFL-MA), deverá encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o agravo regimental pedindo a antecipação do julgamento do mérito dos mandados de segurança que requerem a preservação dos sigilos e a disponibilidade dos bens. Os senadores acreditam que a confirmação das liminares inviabiliza os trabalhos da CPI dos Bancos e de outras CPIs que venham a ser constituídas. Por isso, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), deverá reunir os líderes dos partidos representados no Congresso
nesta semana, logo após seu retorno da Europa. Ele espera encontrar uma maneira de garantir os poderes de investigação das CPIs, que estão sendo questionados pelos ministros do STF. Os desdobramentos dessa crise ocorrem em uma semana de Congresso esvaziado em razão das festas juninas tradicionais no Nordeste.

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