Brasília, 07 (AE) - Com baixa popularidade e pressionado por críticas até da base aliada, o presidente Fernando Henrique Cardoso não escondeu a satisfação com a receptividade do público - parte dele servidores convocados pelo governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, e beneficiados por programas assistenciais do DF - que o saudou hoje nas comemorações do Sete de Setembro. Ao final do desfile, junto com os aplausos dos convidados que ocupavam o palanque, o presidente chegou a ser vaiado por parte das pessoas que assistiam a solenidade.
Sorrindo e acenando para a população, o presidente percorreu em carro aberto o trajeto entre o Palácio do Buriti (sede do governo local) e o Quartel General do Exército, onde foi recebido por Roriz e a maioria de seus ministros, incluindo o da Fazenda, Pedro Malan. Os três netos do presidente - Isabel, Pedro e Júlia - também estavam presentes.
O secretário de Segurança Pública do DF, Paulo Castelo Branco, estimou que um público de 70 mil pessoas acompanhou o desfile, quase o dobro dos 40 mil estimados por ele na Marcha dos 100 Mil, no dia 26 de agosto. Ao longo da avenida que dava acesso ao Quartel General do Exército, populares acenavam com bandeiras do Brasil e faixas da campanha de Roriz. Muitos vestiam camisetas com dizeres como "Avança Brasil" e "Sou Brasil, Sou FHC".
O pastor Edimilson Campos veio de Taguatinga com um grupo de 160 pessoas para um ato de apoio político. "Estamos aqui para apoiar o presidente e principalmente o Roriz", disse. O grupo veio em dois ônibus cedidos pela Administração Regional do DF em Taguatinga. De acordo com o secretário de Segurança Pública, os empresários do setor de transportes cederam 1.500 ônibus e 500 vans.
Convocação - A polêmica sobre a convocação dos servidores públicos do DF para participarem das comemorações do Sete de Setembro começou na semana passada, quando órgãos públicos do DF divulgaram circulares chamando os servidores a comparecerem ao desfile. A Procuradoria-Geral do DF, através da circular n.º 007/99, determinava que a presença de servidores no exercício de cargos em comissão e gratificação seria "obrigatória". O documento frisava que seria feita uma apuração no início e no final da comemoração "mediante listagem", para verificar a participação dos funcionários.
O secretário de Comunicação do governador Roriz, Wellington Moraes, afirmou que a atitude da Procuradoria-Geral do DF foi "isolada" e, depois, desautorizada. O secretário reconheceu que o governador "convidou" os detentores de cargos comissionados a participarem da solenidade. "Os cargos comissionados comungam politicamente com o governo, o que torna até desnecessária uma convocação", disse.
Moares admitiu, no entanto, que o governador do DF teve um empenho maior neste ano para convidar os servidores. "O governador decidiu se empenhar mais porque queria dar um demonstração de carinho ao presidente e também porque este é o último Sete de Setembro do milênio (sic)", disse. Assessores do Planalto afirmaram que o presidente desconhecia a convocação dos servidores.
O funcionário da área de Saúde do DF Herbert Leda levou o convite do governador ao pé da letra e compareceu acompanhado de dezenas de colegas. Distribuindo sanduíches à população, Leda repetia: "Toma o pão do Roriz; aqui não é que nem o PT que não dá nada."

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