FHC e ACM trocam provocações na homenagem a Luís Eduardo
FHC e ACM trocam provocações na homenagem a Luís Eduardo16/Mar, 19:04 Por Tânia Monteiro e Isabel Braga Brasília, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu hoje a união dos partidos que compõem a base aliada, durante homenagem do PFL ao deputado Luís Eduardo Magalhães, morto há dois anos. "Não vamos nos dispersar", defendeu o presidente, lembrando frase do presidente Tancredo Neves, em uma referência à disputa por espaço político entre PFL e PSDB. Fernando Henrique recorreu à figura de Luís Eduardo para pregar uma "convivência democrática, humana e fraterna, a despeito das diferenças" e destacou a importância do PMDB na "confluência de forças" para essa união da base. Apesar dos discursos com trocas de elogios de parte a parte tanto o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães, quanto o presidente Fernando Henrique, foram provocativos ao defenderem suas posições. Os dois vêm divergindo publicamente sobre vários temas. Ontem (15), o senador Antônio Carlos acusou Fernando Henrique de privilegiar São Paulo em seu Ministério, um "paulistério", segundo ele. Fernando Henrique hoje respondeu ao senador. "Às vezes as palavras saem mais depressa do que o coração gostaria e muito mais ainda do que a razão permitiria e é preciso dar um espaço para que haja voltas", afirmou o presidente, acrescentando que um político precisa "ser generoso e saber relevar" o que é dito. "Quem imaginar que a palavra que está fixada e que por estar fixada deve produzir uma reação imediatamente contrária, se engana." Depois da cerimônia, o senador Antônio Carlos voltou a alfinetar o presidente: "o paulistério continua". Indagado se suas palavras sobre o ministério saíam do coração ou foram intencionais, o senador insistiu: "As minhas (palavras) são da consciência; o paulistério foi consciência." Ante à insistência dos repórteres se Fernando Henrique deveria, então, promover mudanças no ministério, o senador alegou respeito à memória do filho. "Hoje eu não trato desse assunto." Para ele, não houve reconciliação com o presidente porque "nunca houve briga". MÍNIMO - Na cerimônia, que foi realizada na Câmara dos deputados e durou cerca de uma hora e meia, o senador falou antes do presidente. Elogiou o homem público Fernando Henrique, disse que ele pode "sempre contar" com o PFL, mas que o presidente "formado na democracia, há de compreender também aqueles que divergem, mesmo sendo seus aliados". Antonio Carlos se referia a um outro tema em que os dois estão em lados opostos: a disputa pelo valor do novo salário mínimo. O senador ergueu a bandeira do PFL de um mínimo correspondente a US$ 100, no que acabou se aliando ao PT. Em Portugal, o presidente disse que seria "uma irresponsabilidade" defender esse valor. Tanto Antonio Carlos, quanto Fernando Henrique, em seus discursos salientaram a diferença de estilo de conduta política entre eles. O senador destacou que, embora os dois tenham estilos diferentes, isso nunca significou falta de respeito ao presidente. "As vozes podem até parecer dissonantes, mas elas sempre se encontram", afagou Antônio Carlos, reconhecendo, que o filho morto tinha "um modo muito mais apropriado de agir (politicamente)" que ele. Fernando Henrique aproveitou a deixa e, falando em seguida ao senador, acrescentou: "Eu até ousaria, senador Antônio Carlos, dizer que o Luís Eduardo tinha mais o meu estilo". Mas, ressalvou, provocando risos na platéia: "Ao dizer isso, como ele era seu filho, não estou criticando o seu estilo." Usando sempre como exemplo a conduta política do amigo, Fernando Henrique afirmou que "a despeito e tais e quais diferenças, é preciso pensar nas coisas importantes para o País, avançando dentro do possível". Para o presidente, é preciso ser capaz de rever posições pré-estabelecidas. "Quem é dogmático, quem é intolerante, não faz política, faz, talvez, teologia, fundamentalismo, mas não muda o mundo", comentou, acentuando que "o político tem é de mudar o mundo".





