FHC diz ter o apoio de Blair para negociar zona de livre comércio
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Isabel Braga (enviada especial) 
Londres, 19 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso obteve hoje o apoio do primeiro-ministro inglês, Tony Blair, para o início das negociações com vistas à criação de uma zona de livre comércio entre União Européia e o Mercosul, em junho deste ano. A visita do presidente à Europa teve como objetivo também pressionar países europeus a se empenhar para que a comissão européia leve à cúpula União Européia, América Latina e Caribe, que acontecerá entre os dias 28 e 29 de junho no Rio de Janeiro, um mandato negociador dos 15 países europeus para o lançamento das bases das negociações de criação desta zona de livre comércio.
Durante a visita à Alemanha, o primeiro-ministro, Gerhard Schreder, afirmou, em curta entrevista, que se empenharia em favor do mandato negociador e que era favorável à inclusão dos produtos agrícolas neste acordo. O primeiro-ministro alemão enfatizou que a Europa devia deixar de lado interesses agrícolas. "Por mais importante que sejam os interesses agrícolas de alguns países da União Européia, eles não podem impedir a penetração em mercados como o sul americano e o brasileiro de produtos industrializados da Europa", argumentou Schreder.
A maior resistência ao acordo na União Européia vem da França, em razão do alto subsídio estatal aos produtores agrícolas. Estes subsídios, mais de 50% do orçamento da UE, impedem que produtos agrícolas brasileiros e do Mercosul possam competir com os similares europeus.
Para que as negociações avancem no encontro de junho, é preciso que os 15 países da UE concordem em dar à comissão européia este mandato negociador.
Durante a conversa de 40 minutos com o primeiro-ministro Tony Blair, Fernando Henrique voltou a manifestar seu interesse de que, durante a cúpula União Européia, América Latina e Caribe
os dois blocos não se atenham apenas a discussões formais, mas comecem um processo efetivo de negociação que permita o acerto, no futuro, de uma zona de livre comércio. "Isso foi claramente posto e apoiado pelo primeiro-ministro Tony Blair", disse o presidente.
Fernando Henrique foi recebido por Blair na casa de número 10, da Downing Street, sua residência e gabinete oficial. "O Tony Blair na verdade tem mais confiança - me pareceu - no governo do Brasil e no presidente do Brasil do que essas dúvidas", disse Fernando Henrique em resposta às críticas de que seria incapaz de levar adiante o ajuste fiscal. Depois do encontro, o presidente foi para a residência do embaixador, Rubem Barbosa. Enquanto dona Ruth Cardoso fazia uma programação cultural, Fernando Henrique oferecia na embaixada um jantar só para homens. Estava prevista a ida do presidente do BC Inglês, Eddie George, presidentes de importantes bancos privados ingleses, como HSBC - que comprou o Bamerindus - e o Natwest, o correspondente chefe do New York Times, Warren Hoge e o escritor e jornalista, Anthony Sampson, entre outros.
Dona Ruth foi a um concerto da Academy of Ancient Music na Saint Johns Church acompanhada de dona Maria Ignez, mulher do embaixador brasileiro em Londres, Rubens Barbosa, de Anna Paola, mulher do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, de Rosário Amaral, mulher do porta-voz e futuro embaixador em Londres, Sergio Amaral. Depois o grupo de mulheres jantou no restaurante La Famiglia.


