Agência Estado
Um dia depois que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ameaçar levar ‘‘milhares de pessoas’’ para protestar em Brasília, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou - por intermédio do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann - que vai receber as lideranças dos movimentos sociais. A única exigência do presidente é que MST apresentem suas reivindicações por escrito ao ministro Jungmann. Ontem Jungmann fez um ‘‘apelo’’ aos MST para que aceite entregar a pauta de reivindicações para que a reunião com o presidente seja marcada.
Anteontem o principal líder do MST, João Pedro Stedile, ameaçou levar milhares de pessoas a Brasília, em uma nova marcha e disse que o governo de Fernando Henrique havia criado todas as condições para uma revolta popular. Até então o governo vinha insistindo que Stedile deveria discutir reforma agrária apenas com o ministro Jungmann.
Assessores do Palácio do Planalto disseram anteontem que Fernando Henrique não tinha intenção de receber o MST e que ameaças à ordem seriam tratadas pelos ‘‘órgãos competentes’’.
‘‘Eu renovo o apelo para que democraticamente a gente faça o procedimento que o presidente solicita e que possa, mais adiante, ter essa reunião sem nenhum problema’’, afirmou Jungamnn. O ministro disse que não vai se reunir com os sem-terra para recusar ou liberar a pauta de reivindicações, mas apenas saber o conteúdo da reunião com Fernando Henrique.’
O pedido de reunião com os movimentos sociais, segundo o ministro, foi iniciativa do presidente. ‘‘O presidente pediu que o ministro da área se reúna previamente, isso é normal, já que ele tem o direito de escolher quem ele recebe e quando acontece a audiência.’
Ontem o MST invadiu agências do Banco do Brasil em Sorocaba (SP) e Campo Grande (MS). Os manifestantes prometerem passar a noite dentro das agências.

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