Brasília, 29 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou a solenidade de lançamento do programa de habitação para baixa renda, que introduz uma nova modalidade de aquisição de casa própria, para dizer que a TR, indexador que reajusta contratos com o governo, tem um "efeito bastante desastroso para o orçamento doméstico". Fernando Henrique reiterou que o ajuste fiscal não prejudicará os programas sociais e agradeceu às centrais sindicais por apoiarem o esforço do governo, comparecendo à cerimônia - uma atitude madura, afirmou. "Isso é democracia", elogiou ele, ao lembrar que os sindicalistas, mesmo estando contra uma determinada política do governo não fizeram o "jogo da crise, o jogo da negatividade".
O vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, que participou da solenidade ao lado de representantes de outros sindicalistas, respondeu ao discurso de Fernando Henrique, ironizando que, felizmente, o presidente reconheceu que eles são maduros. Em seguida, Marinho, que elogiou os esforços do governo para tentar criar empregos e oferecer moradia mais barata para a população, declarou que, agora, é preciso que o governo deixe de fazer discurso e passe a colocar suas idéias em práticas efetivas.
Para o presidente, o incremento aos programas sociais são importantes nestes momentos de dificuldades, em que se está promovendo o ajuste fiscal. Na sua opinião, só quem tem "má fé" poderia imaginar que o governo está fazendo o ajuste fiscal e não cuidando da política social, "porque seria criminoso".
Mais uma vez, o presidente atacou as "cassandras", explicando que são aqueles que só vêem dificuldades, empecilhos, obstáculos e crises. Ele reconhece que os problemas existem, mas observou que as dificuldades estão sendo superadas, "mesmo para o espanto de muitos daqui e de fora", de forma muito mais rápida do que se esperava e com muita energia. O presidente lembrou que a Fipe já prevê uma inflação de 9% para este ano, muito menor do que o "índice galopante" que se previa, que poria por terra o grande esforço do Plano Real.
Ao falar sobre o novo programa habitacional, Fernando Henrique ressaltou que tais iniciativas mostram que é possível, de maneira engenhosa, ultrapassar os obstáculos do custo do financiamento. O novo programa, que atenderá 200 mil trabalhadores que ganham até seis salários mínimos, prevê que, em primeira instância, eles paguem um aluguel do imóvel. Depois de 15 anos, esse aluguel será descontado no preço do imóvel e o trabalhador financiará o restante, adquirindo a moradia.
Segundo o presidente, "o custo do aluguel será mais baixo e bem mais baixo do que seria o custo da mensalidade do mutuário, se fosse considerado casa própria, porque se evita a famosa TR, que todos sabem que tem efeitos bastante desastrados no orçamento doméstico".
Na solenidade de hoje foi anunciado ainda o Proemprego II, que permitirá que sejam investidos R$ 9 bilhões em infra-estrutura para a geração de dois milhões de empregos e o plano de formação do trabalhador, no qual serão aplicados R$ 300 mil para capacitar três milhões de pessoas.
O secretário de Trabalho de São Paulo, Walter Barelli, disse ao final da cerimônia que o Estado foi contemplado apenas com R$ 29 milhões para capacitação de pessoal este ano. "É menos do que no ano passado, quando obtivemos R$ 50 milhões", comentou Barelli, que reconhece que os cortes aconteceram para todos os Estados. Mas Barelli avisou que ainda há distorções - o Distrito Federal recebeu R$ 24 milhões - e que vai brigar por uma complementação desses recursos, no segundo semestre.

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