Brasília, 21 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso justificou hoje, durante abertura do Congresso Brasil/Portugal ano 2000, sua insistência em pedir pressa na aprovação das reformas constitucionais. Ele explicou que o objetivo das reformas é garantir a integração social, recomendada por José Bonifácio de Andrada desde a época do império. "Ele (Bonifácio) falava dos escravos, nós falamos dos deserdados do campo e da cidade, que são milhões, inaceitáveis milhões", comentou o presidente. "Eles são a única e imperativa razão que me faz clamar pela urgência das reformas."
O presidente defendeu as reformas que vem fazendo no Estado, "sob a égide da social-democracia". Segundo Fernando Henrique, as mudanças não implicam na idéia de um Estado mínimo e são feitas "sob o sonho necessário da universalização dos benefícios sociais". "Longe de buscar a substituição do Estado pelo jogo exclusivo dos interesses privados, o que estamos realizando é a autêntica desprivatização do Estado, para afirmar com mais força seu caráter público."
Mais tarde, em solenidade do Dia da árvore no Planalto, o presidente comparou a dificuldade do combate a focos de incêndio e queimadas às dificuldades políticas enfrentadas pelo seu governo. Fernando Henrique afirmou que "a lucidez na política só aumenta a angústia" porque se sabe "que vai dar uma coisa errada, mas tem-se pouca força para impedir" que ela aconteça. "Vendo os mecanismos que nós dispomos hoje, de controle por satélite dos focos de queimada, me dá a mesma sensação: se vai dormir sabendo que a noite vai queimar e não se tem mecanismos suficientes para impedir que haja queimada."

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