Brasília, 01 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, em entrevista ao Grupo Estado, que o governo utilizará sua base de sustentação no Congresso para aprovar ainda este ano, na Câmara dos Deputados, uma proposta de reforma tributária. Fernando Henrique não quis se posicionar sobre o melhor modelo tributário para o País. "A boa reforma tributária é a que simplifica o sistema tributário, desonera e acaba com o imposto em cascata", disse. Segundo ele, a reforma deve manter a proporcionalidade entre União, Estados e Municípios.
O presidente admitiu que o resultado da reforma dependerá das negociações com o Congresso, e reconheceu que as discussões, eventualmente, poderão considerar dois aspectos. A reforma pode ser adotada progressivamente ou ter um mecanismo que compense as perdas dos Estados. "Esta discussão está no Congresso", comentou.
O presidente Fernando Henrique Cardoso definiu também como prioridade de aprovação no Congresso antes do fim do ano os projetos de Lei que complementam a reforma da Previdência. Fernando Henrique lembrou que se trata de projetos que garantirão a redução do déficit da previdência a partir de 2002. "O grande entrave ao ajuste fiscal hoje é a questão da previdência."
Fernando Henrique também voltou a dizer que não recebeu como crítica as declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati, em defesa de uma nova política econômica. Segundo o presidente, a demanda em torno de modificações na política econômica já foi atendida. "O que está se pedindo que se faça, já foi feito", disse. "Agora, os efeitos do que foi feito demora." Ele deixou claro que não adotará uma política que coloque em risco a estabilidade econômica do País. "Não vou entrar para linha de não ter estabilidade. Não vou fazer isto", afirmou. "Não vou fazer com que a inflação volte. Não vou fazer desequilíbrio orçamentário. Não vou fazer isto porque tenho amor ao povo."

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