O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem, em Brasília, que o governo vai ‘‘agilizar’’ outras formas de distribuição de terra, baseadas no próprio mercado, por meio de leilões e da mobilização do Banco da Terra, mas sem eliminar a tradicional desapropriação de terra. A alteração está sendo chamada pelo governo como a reforma da reforma agrária e será detalhada até o dia 20. Em cerimônia realizada no Planalto, o presidente criticou as ‘‘metas inexequíveis’’, propostas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
‘‘O governo não está preocupado quando grupos contestadores propõem metas que são inexequíveis’’, declarou o presidente, classificando como ‘‘pesadelos’’ e ‘‘pedras no sapato da sociedade’’ as propostas do MST. Fernando Henrique fez as declarações sem citar o movimento nominalmente. O presidente disse acreditar que a sociedade já ‘‘registrou’’ que este governo tem vontade política para fazer reforma agrária e disse que a ‘‘marca do governo’’ agora é tornar a terra mais produtiva.
O anúncio do novo projeto de reforma agrária foi feito durante a cerimônia de lançamento do programa Parceria e Mercado, destinado a melhorar a qualidade de produção nos assentamentos. A idéia é garantir que os produtores dos assentamentos possam competir no mercado e até exportar.
Na cerimônia, foi assinado um protocolo entre o Instituto nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Coca Cola, no qual a empresa se compromete a comprar, durante quatro anos, 600 toneladas anuais de açúcar mascavo produzidas por cem famílias dos projetos de assentamento Uatamã e Canoas, situados no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas.José Paulo Lacerda/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)‘‘Pedras no sapato’’ Fernando Henrique criticou ‘metas inexequíveis’ do MST, classificando-as como ‘‘pesadelos’’Agência Estado

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