Rio, 24 (AE) - O Brasil entrará no próximo ano em um "ritmo forte de crescimento econômico", garantiu o presidente Fernando Henrique Cardoso hoje, em discurso na Gávea Pequena, após a solenidade de assinatura dos primeiros contratos de concessão para exploração e produção de petróleo e gás no Brasil. "Eu disse, quando tomei posse no segundo mandato, que não fui eleito para gerenciar uma crise, mas para superá-la", afirmou o presidente. "Agora é fazer o Brasil avançar, e no ano que vem vamos crescer pelo menos 4%." Segundo o presidente, seu governo conseguiu ultrapassar "dificuldades imensas este ano, talvez maiores do que as de 1994, quando foi lançado o plano de estabilização". Ele emendou que foi mais difícil manter a inflação sob controle agora do que na primeira vez. Mas assumiu que "os efeitos ainda não se fazem sentir de forma generalizada
porque custa um pouco para ver que efetivamente criamos condições para uma nova arrancada de crescimento".
Fernando Henrique afirmou ser "partidário ardoroso" do Mercosul, "pedra fundamental para que possamos avançar com tranquilidade no caminho do nosso futuro junto com nossos parceiros". Para ele, o mercado se amplia com o bloco comercial
e mais ainda com a área de Livre Comércio das Américas (Alca).
O presidente abriu uma brecha para lembrar seu passado. Disse que, na infância, olhava para vidrinhos de petróleo e via que o Brasil precisava produzir petróleo para ter um desenvolvimento à altura de suas potencialidades.
"Fui processado porque era tesoureiro do Centro de Estudos de Defesa de Petróleo, cujo presidente era meu pai, general de petróleo na época, e defendi a Petrobrás, e disso não me arrependo nem um minuto". E completou: "Para continuar avançando foi essencial haver a Petrobrás, agora o essencial é fazer o que a Petrobrás está fazendo, permitindo parcerias antes mesmo das novas conecessões, competindo e arrastando com ela um desenvolvimento ampliado pela participação ativa de um conjunto grande de empresas." Esse projeto, continuou o presidente, "leva a indústria nacional a ter uma participação ativa no fornecimento de serviços, equipamentos, mão-de-obra, talentos, e portanto o Brasil entra numa nova fase de seu crescimento econômico, em um quadro que requereu a transformação do Estado brasileiro".

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