FHC diz que oposição é jurássica e marcha é dos 'sem-rumo'
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de agosto de 1999
Por Melchíades Cunha Júnior 
São Paulo, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que faz parte da democracia criticar o governo, mas que a "marcha dos 100 mil", prometida para a próxima quinta-feira pela oposição de esquerda, "é a marcha dos sem-rumo". Entrevistado neste domingo pela Rede Globo, o presidente disse que a crítica é válida, mas a oposição não está propondo, nem mesmo o diálogo, já que parte para a derrubada do governo.
"Criticar pode. O que eles querem que se faça? Qual é o diálogo? O que eles estão propondo?", perguntou. "Nada, a não ser a propalada CPI sobre a privatização das teles. Já foi feito tudo o que se sabe a respeito", disse.
"Aliás, este é o único país do mundo em que os partidos ditos de esquerda são todos jurássicos; são contra imposto. Normalmente, na Europa, a social-democracia quer imposto para fazer uma melhor distribuição de renda. Aqui, temos os jurássicos... Mas não faz mal."
Para o presidente, a campanha de "fora FHC", divulgada no rádio e televisão, não é contra ele, mas contra as instituições democráticas, já que é feita contra um presidente eleito pela população. "O presidente não tem nenhum problema de explicar o que fez, não tem nenhuma acusação moral de qualquer espécie sobre o que fez em matéria financeira, ou de desrespeitar a Constituição. Essa idéia de falar de renúncia, de impeachment, é uma coisa que não me mina, mina apenas a democracia."
Projeções - Fernando Henrique disse acreditar que as condições estão dadas para que o segundo semestre seja melhor do que o primeiro e que haja uma queda no desemprego. "Quem está desempregado tem que ter a solidariedade da gente. Não adianta saber, para quem está desempregado, se a estatística é boa ou é ruim. Ele está desempregado."
O presidente afirmou que, neste ano, foram criados 10 vezes mais empregos do que no ano passado, mas que isso não serve de consolo para quem não tem emprego. "O fato de ter estacionado o crescimento do desemprego é um primeiro momento, não basta. Como é que isso começa a ter um efeito positivo? É quando começar a ter o crescimento da economia. O último dado que eu vi, no IBGE, mostra que houve uma retomada do crescimento
pequena. A nossa previsão é que, no ano que vem, se continuarmos firmes, com o vamos continuar, o piso de crescimento será de 4%. Piso, porque o País pode crescer 5%", previu.
Para FHC, a melhora na oferta de emprego vai reduzir a inquietude da população em relação ao futuro. Neste sentido, disse esperar "ardentemente" que a população fique menos inquieta, não por causa da sua popularidade. "Eu sou presidente
não sou candidato. Eu espero o que é bom para o País, o que é bom para as pessoas. Elas precisam de sentir carinho, de apoio, apoio de todos nós, porque estar desempregado é uma coisa inaceitável. Nós temos que dar condições de emprego. Acho que vai haver a retomada de crescimento, todos os dados macro levam nesta direção. E eu confio nisso", afirmou.


