FHC diz que não quer amenizar críticas à imprensa
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Agência Folha 
Wilson PedrosaViviane Senna mostra folder para FHC durante anúncio do prêmioBRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que seu governo não quer amenizar as críticas da imprensa ou transformar a sociedade civil em instrumento da vontade política pura.
Não há a absorção, a cooptação por parte do governo, para amenizar as críticas da imprensa, ou para transformar a sociedade civil em instrumento da vontade política pura; nem há, por outro lado, a incompreensão por parte da mesma mídia e das associações não-governamentais, da sociedade civil, no sentido de que só o Estado é que deve atuar e tudo o que o Estado faz, o faz por um interesse político menor.
A afirmação foi feita durante lançamento, no Palácio do Planalto, do Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo. No discurso, FHC destacou o papel da mídia na política atual e defendeu a convergência entre a sociedade, o governo, o Estado e a mídia.
Não existe política contemporânea sem a mídia. Não existe capacidade mesmo da vontade crítica aparecer como uma vontade social se não houver um debate público, que só a mídia, hoje, é capaz de fazer, afirmou. Criado pelo Instituto Ayrton Senna, o prêmio vai distribuir R$ 115 mil em dinheiro aos trabalhos que contribuam para a difusão de ações que representem soluções efetivas às questões relativas à infância e juventude.
No discurso, FHC mostrou preocupação com o denuncismo da imprensa. Que essa crítica não seja, digamos assim, asfixiada por uma vocação, às vezes, histriônica do denuncismo. Que não se deixe de denunciar, mas que, da denúncia, resulte uma ação construtiva, uma transformação efetiva da sociedade, disse.


