FHC diz que não pensa em privatizar a CEF
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de março de 1999
Por Isabel Braga e Tânia Monteiro 
Brasília, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso avisou hoje que não está pensando em privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, numa reação a pressões veladas do Fundo Monetário Internacional para que isto seja feito. Fernando Henrique Cardoso aproveitou solenidade hoje no Palácio do Planalto para avisar publicamente: "Quem decide isso somos nós". Segundo Fernando Henrique, o governo adotará medidas para racionalizar os serviços destas entidades, "com pressa, mas sem açodamento e com horror a soluções de bolso de colete, que dizem: resolve-se assim".
A afirmação foi feita depois que o presidente classificou como "precipitação infundada" a defesa de privatização da Caixa. Segundo o presidente, antes de propor uma medida dessa natureza é preciso primeiro entender melhor as funções da CEF e racionalizar suas tarefas.
"É muito cedo para estar pensando em idéias que não têm enraizamento na prática de um País como o nosso", disse Fernando Henrique, ressaltando: "quem fala não é uma pessoa que tem ojeriza às privatizações, mas tem ojeriza às precipitações infundadas e à idéia de que, de repente, uma solução mágica resolve tudo".
No final da tarde, o porta-voz Sergio Amaral, afirmou que o presidente não tinha conhecimento das declarações do diretor-gerente do FMI, Michel Candessus, que elogiou a criação do comitê gerencial das instituições financeiras públicas federais. O porta-voz acentuou ainda que para o presidente, não há inconveniente que organismos internacionais manifestem suas opiniões, só que este é um assunto interno e o governo brasileiro já tomou a sua decisão: "não está cogitando privatizar nem a Caixa Econômica e nem o Banco do Brasil".
Na cerimônia, Fernando Henrique disse que os que defendem hoje a transferência para o setor privado das instituições financeiras como a CEF são "precipitados" porque "pensam que os problemas se resolvem com a privatização". "Nós temos que ver o que temos em nossas mãos, temos que melhorar, que racionalizar o uso", ponderou o presidente, depois de reconhecer que existe duplicação de serviços entre o Banco do Brasil e a CEF.
O presidente defendeu parcerias destas instituições com o setor privado, mas enfatizou que elas devem atender ao interesse do País. "Progressivamente vamos analisar o que for melhor, mas não precisamos estar atados a idéias preconcebidas, prefixadas, de que só de um jeito se resolvem as questões." Fernando Henrique lembrou que ele e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, quando a questão da privatização foi suscitada, optaram por ordenar um estudo sobre o papel dessas entidades.
De acordo com o presidente, este estudo garantirá uma melhoria no atendimento à população. "É preciso haver, sobretudo uma compreensão dos problemas, convergência de interesses, de entendimentos e, sobretudo, essa noção de que um País como o nosso tem muitas carências e nós precisamos trabalhar com mais afinco para atendê-las."
SASSI - O atual presidente da CEF, Emílio Carazzai, também criticou a defesa - feita inclusive por setores do PFL, partido a qual está ligado - de privatizações de instituições financeiras do governo. "Estamos falando de instituições de crédito oficiais, que por terem recursos oficiais naturalmente transmitem segurança aos clientes", disse. "Na medida em que se especula, se transmite sinais negativos", argumentou.
Carazzai admitiu, entretanto, que tem o aval do presidente Fernando Henrique para vender ações da seguradora da CEF - a Sassi - dentro do Programa Nacional de Privatização (PND).
Para Carazzai, não há necessidade de a Caixa ter uma grande participação em uma seguradora, porque a sua vocação é ser uma agência especializada em execução de programas do governo. Hoje a Sassi ocupa o terceiro lugar no ranking das seguradoras que atuam no Brasil e a CEF detém 38% de suas ações e os funcionários da empresa cerca de 40%. "O ideal é a CEF manter apenas 20% das ações, o que garante uma cadeira no conselho administrativo da seguradora". O presidente da CEF acredita que os funcionários também terão interesse em vender parte das ações que possuem.
Ele lembrou que existe um comitê no Ministério da Fazenda que está estudando a duplicidade de funções entre o Banco do Brasil e a Caixa.
Carazzai explicou que estudo poderá indicar a sobreposição de funções ou mesmo a necessidade de ampliação de alguns serviços. Declarou ainda que o estudo indicará a oportunidade de um dos bancos - o que faz melhor - explorar um determinado serviço, colocando à disposição para os outros bancos. Ele citou como exemplo os títulos de capitalização - oferecidos hoje por quatro bancos oficiais: BB, CEF, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia. "Não há necessidade do governo ter quatro companhias diferentes", argumentou.


