FHC diz que juros devem baixar e descarta inflação
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domingo, 14 de novembro de 1999
Por Isabel Braga (enviada especial) 
Havana, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom), em sua próxima reunião, deverá reduzir a taxa de juros. Em entrevista concedida antes de visitar o centro histórico de Havana, capital de Cuba, o presidente reconheceu que a volta da inflação "preocupa" o governo, mas ressaltou: "Não se pode dizer que lá (no Brasil) a inflação voltou." Para o presidente o risco é de que fatos como aumento do preço internacional do petróleo sejam usados como pretexto para reajustes em cadeia.
"Nós não estamos vendo no horizonte nenhuma tendência inflacionária consistente e, portanto, a tendência será a diminuição da taxa de juros", disse o presidente. Segundo Fernando Henrique, a taxa de juros não é definida "politicamente, mas a partir de análises objetivas da situação" a serem feitas na reunião do Copom marcada para o dia 15 do próximo mês. "Mas estou torcendo, como todos os brasileiros, para que haja condições que permitam continuar baixando as taxas de juros", comentou. "E tenho convicção de que isso será possível."
Segundo o presidente, o temor pela volta da inflação no Brasil se justifica porque "não há nada mais daninho para um povo do que a inflação". Fernando Henrique disse que na última reunião do Copom o Banco Central não teve como baixar mais os juros, que estão em 19% , "por receio de que isso alentasse o processo inflacionário", mas que não há ainda a volta da inflação. "Há um ou outro elemento e por isso é preciso ficar atento e cortar o crescimento da inflação."
Fernando Henrique afirmou ainda que a visão de que não há tendência inflacionária consistente no horizonte brasileiro é compartilhada e já foi manifestada tanto por técnicos do governo
quanto pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. No caso do aumento do preço do petróleo, o presidente argumentou que o Brasil importa apenas US$ 4 bilhões em petróleo e Produto Interno Bruto é de US$ 800 bilhões. E que, portanto, o gasto não pode influenciar no aumento inflacionário.
PETRàLEO - "O que pode é haver exploração de gente querendo usar o pretexto do (aumento do) petróleo para criar reajustes em cadeia", disse, acrescentando estar "torcendo" para que o preço do petróleo não "dispare". O presidente também negou que o governo esteja segurando o preço dos combustíveis no Brasil como forma de conter a volta da inflação.
Fernando Henrique argumentou que o preço dos combustíveis é composto parte pelo montante de petróleo importado, parte pelo montante produzido e por impostos. "O governo tem margem, mas não no sentido de evitar que os mecanismos de mercado apareçam, porque no futuro isso acaba criando problemas", afirmou.
O presidente também descartou que os aumentos de alguns alimentos sejam uma indicação de volta da inflação. Segundo ele, numa economia é normal a falta momentânea ou o aumento de alguns produtos. Ele deu como exemplo o caso do feijão. "Subiu 50, mas já baixou, e isso não contaminou os preços", disse. "O que não se pode é criar um clima e permitir usar como desculpa o aumento do feijão para aumentar o preço do sapato", insistiu.
No caso do controle de tarifas, como de telefonia e energia, Fernando Henrique acredita que "houve um começo de discussão equivocada". "O que os responsáveis desses setores disseram é que não é preciso ir além dos contratos, mas não é que não se vá respeitar os contratos, não vá se reajustar - se for o caso - para repor o equilíbrio financeiro."


