FHC diz que governo está em 'guerra'
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 08 (AE) - Após mais de três horas reunido com os ministros e líderes no Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso encerrou o encontro, afirmando: "Estamos numa guerra, quero os ministros guerreiros, dispostos à guerra", avisou. "Que venham à batalha e ganhem."
O presidente cobrou dos ministros que se exponham mais na defesa das ações do governo e estabeleceu uma agenda para o segundo semestre, delegando responsabilidades a cada um. "As pessoas têm de expor-se mais, ser guerreiras; estamos aqui para mudar o Brasil."
Na tentativa de calar, mais uma vez, os ataques ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente tomou para si toda a responsabilidade pela política econômica do governo. "Eu não apóio o Malan, mas sim a política em que acredito", afirmou.
Ele fez uma referência indireta à saída do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho do governo. "Pago o preço de cortar amigos e a solidão de conviver com as escolhas", disse o presidente. "O que fazer senão manter as escolhas, apelar para as armas?", emendou. "Não, nosso caminho é a democracia", respondeu. "Vamos ganhar
aqui não tem ladrão, eu vou sem temer."
Falando de improviso, Fernando Henrique também mandou recado aos líderes aliados. "Aos líderes, não posso convocar, mas posso esperar apoio", frisou. "Partido aliado é para apoiar e eu me refiro inclusive ao meu próprio partido", acrescentou, estendendo o pito ao PSDB.
O presidente voltou a cobrar o fim das divergências públicas entre os ministros. "Esses bate-bocas públicos são estéreis; não quero mais divergências para fora", avisou, lembrando que essas brigas fortalecem a oposição. Ele voltou a atacar os adversários: "A oposição perdeu não só o rumo, mas também a cabeça", disse. "Estão discutindo se paga ou não a dívida externa, e se fala também em fechar o Congresso, eles estão voltando 30 anos atrás."


