FHC diz que governo busca agora crescimento econômico
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Isabel Braga e Tânia Monteiro 
Brasília, 30 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que a opção do governo agora é pela busca do crescimento econômico. Segundo Fernando Henrique, como o Brasil conquistou a democracia e a estabilidade econômica, e as principais reformas constitucionais foram feitas, há hoje melhores condições de "dar passos firmes" para que a oferta de emprego aconteça.
"Democratização, estabilização, reformas (estão garantidos) e agora é desenvolvimento", disse o presidente, na cerimônia de lançamento da versão 2000 do Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador (Planfor).
Fernando Henrique enfatizou ainda que as condições para o crescimento econômico estão dadas porque a economia está estabilizada e o País possui hoje baixos índices de inflação. "É um país que tem uma economia estabilizada, onde o salário do trabalhador, a pensão do aposentado não são corroídos pela inflação", comentou o presidente, lembrando que a estabilização foi ameaçada em 1999, quando o governo foi obrigado a desvalorizar o real. "Mas esse país mostrou a sua força e conseguiu manter a nau sob controle." No discurso, o presidente disse compartilhar com o "espírito realista" do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, que acredita ser possível criar 8 5 milhões de empregos entre 2000 e 2003. Fernando Henrique acrescentou, entretanto, que, para que isso aconteça, é necessário garantir a qualificação profissional dos trabalhadores brasileiros. Ele manifestou a confiança no trabalho em parceria para essa qualificação, entre o governo e as centrais sindicais.
"Eu confio muito nessa ação de parceria, mas acho importantíssimo que haja a despolitização desses programas", advertiu o presidente, para uma platéia composta basicamente por sindicalistas e empresários. Segundo Fernando Henrique, os programas de qualificação "têm a ver com a sociedade, não têm a ver com a central tal e qual, com o partido tal ou qual , com o governo dessa ou daquela cor" e, por isso, é preciso trabalhar sempre em parceria.
Fernando Henrique defendeu as ações do governo nas áreas de educação e saúde. Ele citou a criação do "provão" (sistema de avaliação do ensino universitário) como uma inovação importante para garantir a qualidade do ensino. "Inovar é muito difícil e a inovação é sempre recebida com desconfiança", queixou-se. "Os interesses mais atrasados, às vezes, se arvoram em defensores disso e daquilo para impedir a inovação", observou ele, referindo-se à experiência do governo com o provão.
"Infelizmente, até as organizações estudantis se mobilizaram contra o provão, mas a sociedade reagiu e hoje ele é um sucesso", argumentou.
O presidente defendeu a qualificação profissional para os trabalhadores porque acredita que ela é necessária no mundo globalizado. "O Brasil não pode dar um salto para a ultratecnologia sem, ao mesmo tempo, olhar que temos gente sem qualificação, temos problemas de gente que precisa de terra, que temos problemas de baixa produtividade da agricultura, problemas de exclusão social", afirmou.
Fernando Henrique recordou que, depois do período de ditadura militar, o grande esforço do Brasil foi garantir a volta da democracia.
"Hoje, a democracia impera, não só a democracia política, mas no sentido mais amplo que inclui a liberdade, os direitos humanos, o respeito às pessoas", disse. Fernando Henrique também lembrou que o governo fez várias reformas, abrindo a economia, tornando flexíveis os monopólios estatais e criando agências reguladoras.
A meta do governo com o Planfor é qualificar, entre 2000 e 2003, 19 milhões de profissionaistrabalhadores, com investimentos de R$ 2,4 bilhões, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e parcerias com os governos municipais, estaduais e setor privado. De 1995 a 1999, o plano beneficiou 8 3 milhões de trabalhadores, com investimento total de R$ 1,4 bilhão do FAT.


