FHC diz que examinará caso de Angelis
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Rosa Costa (enviada especial) 
Lima, 22 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que vai examinar o que realmente ocorreu com os recursos destinados à extinta Secretaria de Políticas Regionais, antes de se posicionar sobre o assunto. O ex-secretário Ovídio de Angelis
recém-nomeado para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, é acusado de ter repassado, às vésperas de sua exoneração, metade do orçamento da pasta para municípios de seu Estado, Goiás. Ele teria agido assim porque acreditava que seria "rifado" na reforma ministerial, o que não ocorreu. O presidente disse que não tem preocupação com ninguém nessa matéria, descartando a possibilidade de ter a sua posição confundida com um possível entendimento com o PMDB, partido a que pertence Ovidio de Angelis.
No seu segundo e último dia de viagem ao Peru, Fernando Henrique disse que precisa se informar primeiro sobre o que ocorreu, antes de tomar uma decisão. "Não posso levianamente responder do exterior sobre uma questão dessa implicação", argumentou. "O presidente não pode agir antes de ter informações adequadas." Ele justificou que há a necessidade de levar em conta a dificuldade de apenas uma única pessoa liberar verbas indevidamente, sem ser contido pelo sistema de controle de gastos públicos existentes no País. "Além de que a liberação não é um fato que dependa de um ministro", afirmou. "Temos um sistema de controle de contingenciamento de verbas muito grande."
Para Fernando Henrique, sua posição não tem nada a ver com as reiteradas declarações do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de que ele não deve falar de assuntos internos nas suas viagens ao exterior. "Isso é outra obsessão que não tem sentido", rebateu. "Faço o que eu quero, do jeito que eu acho, do jeito que eu sou." Ele diz que não mudará seu jeito de ser para atender a quem quer que seja. "Podem dizer o que quiser", assegurou. "Vou continuar sendo o que eu sempre fui."


