Brasília, 08 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso se disse hoje contra uma revisão das regras internas do Mercosul. Em seu pronunciamento durante a reunião da cúpula dos chefes de estado do bloco, Fernando Henrique afirmou que a expressão "relançamento do Mercosul", usada pelo presidente eleito da Argentina, Fernando De la Rúa, que articula, entre outras mudanças, a criação de novas compensações comerciais, "não deve significar ,de modo algum, a reconsideração ou revisão de regras e normas já aprovadas". Na sexta-feira Fernando Henrique irá assistir à posse do novo presidente argentino.
FHC disse que "relançamento" significa apenas "o cumprimento de metas e prazos relativos ao funcionamento da união aduaneira" e "ao impulso revigorado à agenda de consolidação e aprofundamento do Mercosul". Fernando Henrique frisou que um dos objetivos dos países do Mercosul será reforçar a posição de negociação do bloco junto a outros organismos e grupos de países.
No plano das relações externas, o Mercosul terá uma agenda intensa e difícil", afirmou, citando as negociações com a Organização Mundial de Comércio (OMC), Alca, Comunidade Andina e União Européia. "As discussões sobre o lançamento de uma nova rodada de negociações comerciais multilaterais constituem, para o Mercosul, uma oportunidade de reversão do quadro desfavorável e injusto que caracteriza o comércio internacional", disse Fernando Henrique.
A abertura do encontro foi marcada por um pronunciamento do presidente uruguaio Julio Maria Sanguinetti, que soou como uma auto-crítica. " Este foi o ano mais difícil do Mercosul, porque foi a primeira vez em que se registrou uma queda no comércio, o que pôs à prova o projeto político do bloco", disse. Sanguinetti disse que os países precisam avançar na coordenação macro-econômica e na criação de mecanismos institucionais para a solução de divergências.
"Temos que dar passos maiores para a fixação de metas orçamentárias, de déficit fiscal e inflação", disse, acrescentando que este conjunto formaria um "pacote básico" de política econômica comum que levaria a uma situação semelhante a que o bloco europeu passou a viver com a assinatura do tratado de Maastricht.
O comércio dentro do Mercosul este ano foi profundamente afetado pela crise internacional e pela desvalorização do real, em janeiro, que não foi acompanhada por uma alteração cambial nos demais países. De acordo com o embaixador José Alfredo Graça Lima, um dos principais negociadores brasileiros, o movimento financeiro comércio do bloco este ano deve cair cerca de 30%. No ano passado, o movimento foi de US$ 22 bilhões, cifra que deve se reduzir para US$ 15 bilhões.

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