Brasília, 11 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso considera "prematura" a proposta de se iniciar uma discussão sobre aumento de salário mínimo, neste momento, quando ainda não se tem uma definição sobre o comportamento dos preços, que só será conhecido, concretamente, nos próximos meses. A informação foi prestada pelo porta-voz do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, depois de explicar que o assunto está sendo conduzido pelo Ministério do Trabalho.
Questionado sobre a sugestão de que o salário mínimo volte a valer US$ 100, passando para R$ 187,00, o que significaria um aumento de 43%, o porta-voz disse que o governo não vai comentar qualquer proposta antes de ter formado uma opinião concreta a respeito do valor que poderá ser fixado. Amaral garantiu que o aumento do dólar não representa perda de ganho para o trabalhador assalariado. "É um equívoco considerar o poder aquisitivo do salário mínimo unicamente em relação ao dólar", declarou Amaral, ao explicar que a manutenção do poder aquisitivo do salário tem como referência principal o comportamento dos preços. "Se você conseguir conter a inflação, o poder aquisitivo do trabalhador será preservado quase na totalidade", justificou.
Sobre o valor de 4,44% alcançado pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas, em fevereiro, Sérgio Amaral salientou que a inflação que afeta as pessoas é medida de outra forma. Segundo ele, a inflação é medida pelo índice ao consumidor e alguns desses números do IGP se referem aos preços por atacado.
Indagado sobre a declaração do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, que defendeu aumento salarial para os trabalhadores a título de compensação das perdas salariais com a inflação, Sérgio Amaral disse que ele está apenas considerando uma hipótese. O porta-voz insistiu que é preciso primeiro saber qual seria o tratamento adequado da questão, ou seja, como será o comportamento dos preços, para ver se haverá perdas salariais.

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