Buenos Aires, 09 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje em Buenos Aires acreditar na "responsabilidade" do Congresso para aprovar, ainda na semana que vem, a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal. Ontem (08) o assunto não foi votado por falta de quórum. Os parlamentares já começaram a abandonar Brasília, desinteressados em votar os projetos de interesse do governo. Eles reclamaram do atraso na liberação de verbas para as suas emendas.
"O mais importante é que votem logo o FEF, para que se possa redistribuir alguma renda para os estados", disse o presidente, ao confirmar que vai convocar extraordinariamente o Congresso, em janeiro. "O Congresso tem feito o que é necessário", disse o presidente, acrescentando que "não é preciso ter ansiedade". Para ele, "se o FEF for aprovado na semana que vem, isso já resolve". "O resto está avançando", observou, referindo-se às reformas tributária e judiciária.
As declarações de Fernando Henrique foram dadas hoje, durante visita ao Museu de Belas Artes de Buenos Aires, onde viu a coleção de Gilberto Chateaubriand. A coleção representa um panorama da pintura brasileira do século 20, na exposição de 115 obras, de 52 artistas brasileiros. Depois da visita, ele gravou uma mensagem para o museu.
DESPEDIDAS - No final da tarde, o presidente participa da cerimônia de cumprimentos de todos os chefes de Estado ao presidente Carlos Menem, que deixa hoje o governo. Em seguida, comparece ao jantar oferecido por Menem, no Palácio San Martin. Amanhã (10), o presidente vai à cerimônia de posse do novo presidente, Fernando de la Rúa, no Congresso, e à transmissão de cargo, na Casa Rosada.
Na noite de quarta-feira, quando chegou a Buenos Aires, Fernando Henrique jantou com o novo presidente argentino, na residência particular do futuro ministro das Relações Exteriores argentino, Adalberto Giavarini. "Foi uma conversa amena e cordial", resumiu ele. O embaixador do Brasil na Argentina, Sebastião do Rego Barros, explicou que os dois países sabem que os problemas não podem ser resolvidos com "um passe de mágica". "Temos de voltar a trabalhar positivamente, para ter o crescimento do Mercosul, de maneira que as relações entre os dois países não se esgotem no pequeno contencioso, que não leva a nada", declarou Rego Barros, acentuando que a hora é de se pensar no futuro e não no passado.

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