FHC diz que Brasil pode lançar até US$ bi em títulos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Isabel Braga Enviada especial 
Bonn, 16 (AE) - Antes de embarcar hoje para Lisboa, o presidente Fernando Henrique Cardoso avisou que já há um pedido, na bolsa dos Estados Unidos, para o lançamento de até US$ 5 bilhões em títulos brasileiros e que "se as condições (da economia) avançarem mais na direção positiva" isso poderá ser feito ainda neste primeiro semestre. "Para quem começou pensando em US$ 1 bilhão, US$ 1,5 bilhão, imaginar US$ 5 bilhões como limite, me parece também um dado positivo", comentou o presidente ao responder pergunta de um jornalista alemão hoje na residência de hóspedes de Pertesberg.
O jornalista indagou se Fernando Henrique aproveitaria a viagem à Europa para lançar os títulos brasileiros e o presidente respondeu que esta era uma questão técnica que dependia basicamente do Banco Central e Ministério da Fazenda brasileiros. "Não quero me antecipar a decisões que são de ordem técnica, mas posso adiantar apenas que já houve um pedido de autorização da bolsa dos Estados Unidos para que isso pudesse ocorrer", disse o presidente.
Fernando Henrique afirmou não saber "exatamente" em que momento este lançamento poderá acontecer. "Mas acho que se as condições avançarem ainda mais na direção positiva, aquilo que imaginávamos fazer só no segundo semestre, talvez possa ser feito ainda no primeiro e então poderemos lançar esses bônus", disse.
Salário mínimo - Fernando Henrique afirmou ainda que o aumento do salário mínimo que será concedido em maio, está sendo analisado com "realismo". "Vendo os dados, sabendo o que é possível e olhando a necessidade do ajuste fiscal", acrescentou. O presidente fez questão de explicar aos jornalistas que o otimismo que externou durante palestra aos alemães tem por base dados concretos. "Eu fui realista, eu dei dados e o otimismo deriva dos dados" argumentou.
Antes da coletiva, o presidente recebeu em audiência o ex-chanceler alemão, Helmut Kohl, e o vice-presidente do Dresdner Bank, Heinz-Jrg Platzek, e traçou o mesmo cenário positivo da economia brasileira apresentado aos empresários alemães em palestra na sede da Confederação das Indústrias Alemãs. Platzek mostrou-se impressionado com a recuperação econômica do Brasil e afirmou que se as melhoras continuarem poderá ampliar seus negócios no Brasil.
O vice-presidente do Dresdner evitou, entretanto, falar sobre o percentual de risco que os bancos alemães estão fazendo em suas provisões nos empréstimos ao País. Quando os jornalistas perguntaram se ele confirmava provisão de 20% para cobrir o risco Brasil, ele limitou-se a afirmar que os bancos fizeram acordo para não divugar este percentual.
Mercosul - Na entrevista coletiva, Fernando Henrique reconheceu que o conflito em Kosovo está centralizando as atenções da Europa, mas descartou que ele possa impedir avanços comerciais na cúpula União Européia, América Latina e Caribe, que será realizada no final de junho. Ele chegou a sugerir como um dos caminhos para se acabar com a resistência de países a que as negociações incluam produtos agrícolas, a intensificação de investimentos de agrobusiness no Brasil.
"Há caminhos, por exemplo, intensificar o agrobussiness no Brasil com investimentos europeus, de tal maneira que as contradições na área agrícola diminuam, pela existência de interesses que coincidam", argumentou o presidente explicando que isso se daria com a exploração de produtos agrícolas e processamento industrializado, por capitais em joint-ventures entre empresários de países europeus com maior tradição agrícola e empresários brasileiros.
Fernando Henrique voltou a defender que a Europa assuma um papel político "a nível global", não baseando suas políticas em interesses tópicos. "Se o Brasil fosse pensar na América do Sul só em termos de ele é o maior mercado e portanto vai fechar seu mercado, não haveria Mercosul, não haveria integração sulamericana", argumentou o presidente. "Estando a Europa mais rica, mais próspera, mais desenvolvida, para manter um papel de liderança compartilhada no mundo, ela tem de entender que tem de ceder certas posições, embora isso possa prejudicar segmentos locais."


