FHC diz que assentou 287 mil famílias
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique Cardoso comemorou ontem, em solenidade realizada no Palácio do Planalto, o assentamento de 287 mil 539 famílias durante os quatro anos de mandato. O número apresentado pelo governo e questionado pelas lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), representa a superação de promessa, feita em 1995 quando assumiu o governo, de assentar 280 mil famílias na reforma agrária. O presidente afirmou ainda que, no segundo mandato, irá passar da mera etapa da reforma agrária para investir na qualidade de vida nos assentamentos.
Neste novo mandato que o povo me concedeu, é preciso prestar atenção ao que se vai fazer nas terras concedidas, afirmou o presidente, citando ações na área de educação, saúde e melhoria das estradas. É preciso ver o mundo rural na totalidade para que não haja uma separação tão drástica entre a vida no campo e nas cidades, que acaba orientando o movimento de migração. Fernando Henrique enfatizou que esta melhoria não ocorrerá em detrimento dos assentamentos. Mas vamos fazer os assentamentos com mais discernimento. O ministro extraordinário de Políticas Fundiárias, Raul Jungmann, anunciou ontem que, para o assentamento das 287.539 famílias, em mais de 8 milhões de hectares, o governo investiu de R$ 7 bilhões no programa nacional de reforma agrária. É a maior reforma agrária do mundo, disse Jungmann. Fernando Henrique acrescentou que os assentamentos rurais garantiram a inclusão de 1,5 milhão de pessoas que estavam à margem da sociedade. É uma demonstração da vontade do governo de resgatar a dívida social, afirmou.
No balanço apresentado na solenidade, Jungmann lembrou que, desde 1964, quando foi editado o Estatuto da Terra, até o início do governo Fernando Henrique, foram assentadas 218 mil famílias. Em quatro anos, assentamos muito mais do que foi feito nos últimos 30 anos, disse o ministro, que também comparou os gastos com a reforma agrária nestes 30 anos (cerca de R$ 3,9 bilhões, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e no governo Fernando Henrique. Em quatro anos, quase que se dobrou os recursos. Jungmann também chamou atenção para a redução do número de mortes de trabalhadores sem-terra no governo Fernando Henrique. Em 1996, foram 54 mortos, em 1997, 30 mortos e, este ano, até novembro, foram registradas 26 mortes. A redução na violência tem relação com o programa nacional de reforma agrária, argumentou. O ministro criticou a postura do MST de questionar os números de assentamentos apresentados pelo governo.
O sr. (João Pedro) Stédile tem de provar, apresentar os números dele, disse. Jungmann ironizou ainda as ameaças feitas por Stédile que, em 1999, o MST irá endurecer com o governo, aumentando o número de ocupação das terras improdutivas. O MST deverá tomar Viagra se quiser endurecer com o governo, disse. O caminho mais correto é o do diálogo. O trabalhador rural Nelson Barcelos Oliveira, de 36 anos, participou da solenidade de ontem. Ele ganhou 35 hectares de terra em Unai (MG) e créditos no valor de R$ 2 mil reais. Casado e com dois filhos, os dois estudando, ele aguardou a posse das terras por mais de um ano. Ele não quis criticar as ocupações feitas pelo MST para obrigar o governo a dar terras para os trabalhadores rurais.


