FHC diz que "âncora verde" vai segurar inflação
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Tânia Monteiro 
Formoso do Araguaia (TO), 05 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu hoje à população para que não aceite a alta de preços sem razão e combata a inflação. "Vamos dizer não à inflação, produzindo mais; vamos dizer não à inflação, cuidando para que não haja exploração do povo", afirmou o presidente, acusando de "agourentos" os que apostam que a inflação vai voltar.
Para o presidente, a "âncora verde", propiciada pela grande safra de 84 milhões de toneladas, esperada para este ano, vai segurar a inflação. Ele voltou a garantir ainda que os cortes previstos no ajuste fiscal não prejudicarão a área social.
"Vamos cortar o que for excedente, desnecessário, mas vamos garantir ao povo brasileiro as suas necessidades básicas"
declarou ele, durante discurso na solenidade de lançamento simbólico da colheita da safra deste ano em Formoso do Araguaia, onde dirigiu uma colheitadeira.
"Nessas turbulências, o povo continua precisando de comer, de ter hospitais, escolas", comentou ele, avisando em seguida, que o grosso da população, no que diz respeito aos seus interesses imediatos, não poderá ser prejudicado. "Nada de ficar agora, a fazer apostas nos cortes sociais", prosseguiu.
Fernando Henrique lembrou que o Brasil deve muito à agricultura na fase de criação do real. "A agricultura foi a âncora verde que ajudava a sustentação da âncora cambial", acentuou ele, explicando que agora existe uma política monetária de combate à inflação e que governo está dando apoio à agricultura para que ela continue a ser a âncora verde da estabilidade econômica.
Segundo o presidente, "essa produção é que vai baratear o custo da comida da população". Para ele, "aqueles que ficam apostando agourentamente que a inflação vai disparar, deveriam percorrer o Brasil para ver que, por mais que os especuladores queiram que ela dispare, o povo vai se recusar a pagar altos preços, e haverá abundância da oferta agrícola e haverá discernimento da população para não cair na conversa do primeiro especulador que queira subir preço sem razão".
O presidente não quer trazer de volta os "fiscais do Sarney", mas tem insistido em vários discursos que a população tem de parar de comprar de quem aumenta os preços abusivamente. Fernando Henrique tem insistido que há o reajuste em função da subida do dólar, mas que ele ocorre uma única vez e que não pode ser repetido. É nessa fiscalização que o presidente quer a atenção e a ajuda da população.
Juros - Um dia depois de aumentar as taxas de juros, o presidente assegurou que, para o setor agrícola, elas continuarão nos mesmo níveis de hoje que, a seu ver, são negativas. "As taxas de juros não são as que dizem por aí, é outra coisa", disse ele.
No caso do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), explicou o presidente, os juros são de 5,5% ao ano e os outros produtores pagam uma taxa de 8,75% ao ano.


