Brasília, 02 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, durante uma reunião de líderes do governo no Senado, que o aumento das taxas de juros em 0,25 ponto percentual pelo Tesouro norte-americano não deve trazer nenhum prejuízo para a economia do País, segundo relato do líder do PPB no Senado, Leomar Quintanilha (TO).
Ainda de acordo com o senador, o presidente acredita que não haverá reflexos negativos para a economia nacional, porque a elevação dos juros nos EUA é pequena quando comparada às taxas instituídas pelo governo brasileiro.
Ao ser questionado sobre as medidas do governo para a redução dos juros para o consumidor, o presidente lembrou que o governo tem tomado todas as iniciativas cabíveis, entre elas a redução do compulsório dos bancos, para melhorar a situação. "Embora o governo tenha reduzido as taxas, os juros da ponta para o consumidor não caíram de forma significativa", cobrou Quintanilha durante a reunião. "O presidente apresentou como justificativa que os bancos têm tido dificuldades de reduzir os juros por causa do índice de inadimplência", afirmou o senador.
"Risco Brasil" - De acordo com o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, o Brasil está muito menos vulnerável à elevação das taxas de juros dos EUA. O secretário acredita que há espaço hoje para a queda do risco Brasil. É essa redução que, segundo ele, tende a compensar os efeitos negativos do aumento dos juros norte-americanos na economia brasileira.
"Hoje temos uma situação internacional e doméstica de estabilidade que permite imaginar que teremos uma redução do custo Brasil", disse Amadeo ao Estado, ressaltando que essa redução pode compensar em parte a elevação da taxa de juros americana. Amadeo destacou que o risco Brasil já vem caindo nos últimos meses. "Se a economia estivesse numa situação crítica como há um ano, o efeito da elevação da taxa de juros seria muito maior."
Na avaliação do secretário, a elevação dos juros norte-americanos é "ruim" para o Brasil porque provoca o aumento do custo de captação da economia, mas mesmo assim os seus efeitos no fluxo de capital deverão ser menores. "As condições de financiamento do balanço de pagamentos são muito boas este ano" disse. "Temos muito menos amortizações do que no ano passado e os investimentos diretos estrangeiros têm uma tendência de manter um bom padrão", completou.
O secretário de Política Econômica afirmou que o impacto do aumento dos juros americanos deverá ser mais sentido no custo de colocação de bônus no exterior e na captação de empréstimos. Mas, segundo ele, os investimentos diretos estrangeiros e em bolsa de valores não devem sofrer grandes alterações. Em relação aos investimentos diretos estrangeiros o efeito deverá ser muito pequeno: "Esse é um tipo bem diferente, que olha para médio e longo prazos, e está relacionada a decisões baseadas no crescimento do mercado brasileiro".
Bolsas - Mesmo com um aumento dos juros nos EUA, Amadeo espera que os investimentos em bolsas se mantenham atrativos. Isso porque, segundo ele, ainda há espaço para a elevação dos preços das ações de empresas brasileiras.
"A bolsa vai manter um investimento atrativo pelo fato de termos uma economia que está em estabilidade, com perspectiva de crescimento e preço das ações em dólar, com possibilidade de ter ainda uma elevação importante", justificou o secretário.
Amadeo ressaltou que a situação da economia nos EUA permite hoje que os mercados antecipem o que vai acontecer e diluam no tempo o efeito que o aumento de juros poderia causar.
Para Amadeo, a situação mais confortável da economia brasileira, no entanto, ainda não traz tranquilidade. Segundo ele, somente daqui a um a dois anos o Brasil conseguirá consolidar um patamar de risco ideal. Houve avanços nos últimos meses, mas o País ainda está longe de se encontrar numa situação ideal.

mockup