Brasília, 23 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje que o alerta feito pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, de que "não há espaço para complacência" com a economia do Brasil "converge" com a opinião do governo brasileiro. "Conflui exatamente com a opinião do governo de que é preciso não relaxar
é preciso continuar o esforço do ajuste fiscal e fazer as reformas", disse Fernando Henrique, por intermédio de seu porta-voz, Georges Lamazire.
O presidente enfatizou ainda que Camdessus "reconheceu, sobretudo, os êxitos do Brasil no enfrentamento da crise"."Ele (Camdessus) fez uma avaliação positiva da reação da economia brasileira", disse Lamaziére. "Apenas o diretor-gerente do Fundo Monetário lembrou que, claro, esse êxito não deve fazer com que o Brasil relaxe nessas medidas, o que certamente, não é o caso".
Segundo o porta-voz, todos sabem que "o governo tem lutado pela aprovação das reformas necessárias, junto com o Congresso, e o Congresso tem respondido positivamente ao esforço do governo". Lamazire lembrou que além da referência feito ao Brasil, Camdessus também falou sobre outros países. "Todo organismo multilateral - Nações Unidas, FMI ou mesmo a Unctad que é secretariada por um brasileiro - opina sobre a situação dos países que são membros. "Isso é natural, não há problema", argumentou, negando qualquer tipo de constrangimento do governo brasileiro.
O porta-voz informou ainda que o presidente considerou "natural" o fato de o Brasil ter sido escolhido pelo presidente norte-americano Bill Clinton para integrar o grupo de 20 países que discutirão a reforma no sistema financeiro internacional. "O presidente ficou satisfeito, mas evidentemente considerou natural que o Brasil seja incluído", disse Lamazire, explicando: "não só pela importância da economia brasileira, como também pelo fato de que o Brasil foi um dos países afetados por crises internacionais, e tem muito a contribuir nessa discussão".

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