Brasília, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou hoje qualquer possibilidade de as Forças Armadas serem empregadas no combate ao narcotráfico e avisou que a participação dos militares nessa questão é "acessória". "Mais uma vez é preciso deixar bem claro que as Forças Armadas não são e nem devem ser preparadas para a atividade policial", declarou o presidente, em uma tentativa de acabar definitivamente com o debate que surgiu sobre a possibilidade de os militares combaterem o narcotráfico. O ministro da Justiça, José Carlos Dias, sugeriu que os militares realizassem este trabalho nas fronteiras.
Fernando Henrique rechaçou ainda qualquer interferência externa nas decisões do Brasil de como conduzir o combate ao narcotráfico e citou, como exemplo, a recente ação do governo no Polígono da Maconha, demominada Operação Mandacaru. "Os resultados (das missões desenvolvidas pelo governo) darão o respaldo interno e externo à decisão brasileira de conduzir o seu próprio combate a esses crimes, porque nunca aceitamos a nossa subordinação a políticas, quaisquer que venham a ser, definidas fora de nossas fronteiras para regulamentar a questão do combate ao narcotráfico", afirmou o presidente.
Para ele, os papéis de cada órgão estão expressos na Constituição e isso tem de ser respeitado. Sem citar a Polícia Federal que, constitucionalmente, é responsável pelo combate ao narcotráfico, afirmou: "É óbvio que a participação das Forças Armadas é acessória e não deve ser confundida sua missão constitucional com a missão constitucional de outros setores, que aí sim, têm de de cuidar dessas questões". De acordo com o presidente fica, assim, reiterado que vale o que está na Constituição e a tradição.
"Às Forças Armadas poderá competir dar apoio logístico de inteligência e comunicação, quando requerido, aos setores de segurança pública, para combater esse mal que atinge as nações"
explicou o presidente, ao citar a participação dos militares na operação Mandacaru, de combate ao narcotráfico no chamado Polígono da Maconha. Ele lembrou que essa foi uma ação conjunta das forças policiais locais, nacionais e da sociedade local, com apoio das Forças Armadas.

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