Brasília, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso previu hoje que o caminho para o próximo ano será "mais suave" do que se imaginou no início do ano. Segundo ele, a inflação está sob controle e as previsões de crescimento são melhores. Em duas solenidades hoje com militares, disse que o Brasil estancou "o famoso contágio que ameaçava desorganizar a economia mundial", reconhecendo ter pago, pela crise, um "preço alto pessoal, político e de sacrifício para o povo". "Mas, possivelmente, olhando em retrospecto o ano que passou, chegamos ao fim dele com mais ânimo do que seria possível imaginar no começo desse ano", disse.
Fernando Henrique participou hoje no Palácio do Planalto e no Clube da Aeronáutica de duas solenidades militares. Na primeira, ele saudou os oficiais recém-promovidos e na segunda, almoçou com 174 oficiais-generais das três Forças. Ele disse que, no início do mandato, o Ministério da Fazenda tinha de enfrentar três problemas: "inflação, inflação e inflação". Agora, acrescentou, "o Brasil tem de enfrentar três problemas: educação, educação e educação."
Ao falar sobre as dificuldades orçamentárias enfrentadas por todos os setores esse ano, Fernando Henrique agradeceu a compreensão e o apoio das Forças Armadas e anunciou que tempos melhores virão. "Vento e maré não ajudam a quem não sabe para onde quer ir", afirmou o presidente. "Os tempos já são de reconsiderar muitos de nossos projetos nacionais."
Fernando Henrique afirmou estar terminando o ano com "muitas realizações" e assegurou que outras ainda estão a caminho em áreas como saúde, previdência, educação e emprego, "muito importantes para o bem-estar do povo". O presidente classificou como momentos mais difíceis dos últimos tempos os meses entre novembro do ano passado e março desse ano. "Mas continuamos", comentou.
"A ninguém escapou as dificuldades que o Brasil enfrentou nesses últimos tempos", acentuou o presidente. "Mas também a ninguém escapou, espero, a determinação, mesmo com a serenidade que é necessária nesses momentos, com que o governo conseguiu superar, pouco a pouco, as várias dificuldades, de tal forma que
efetivamente, sem nenhum exagero, é possível hoje dizer que entraremos para o próximo milênio, no dobrar desse ano, de uma maneira mais esperançosa", acrescentou.
Reiterando as palavras do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Walter Br„uer, durante a saudação ao presidente, Fernando Henrique disse que já foram ultrapassados os primeiros passos na instalação do Ministério da Defesa. "E caminhamos firmemente para a sua consolidação". Br„uer, em seu discurso em nome dos seus colegas da Marinha e do Exército, disseu que a criação do Ministério da Defesa "estreitou o relacionamento" entre as Forças Armadas. "Os senhores são os grandes responsáveis por essas transformações e o resultado já se pode esperar, com Forças Armadas coesas e objetivos muito claros", completou Fernando Henrique.
O presidente elogiou ainda o comportamento "leal, despreendido, disciplinado e democrático" das Forças Armadas. Lembrou que, não obstante às restrições orçamentárias, as forças vêm se atualizando, de forma a manter os meios adequados para o cumprimento de suas missões constitucionais, "embora em um ritmo que não seja sempre aquele que desejamos, por falta de recursos".

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