Nova York, 11 (AE) - Durante os três dias de sua visita aos Estados Unidos, o presidente Fernando Henrique Cardoso evitou qualquer menção à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos. Hoje, porém, foi obrigado a responder a uma pergunta sobre a possibilidade de o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ser convocado para depor. "O que tinha que ser dito foi dito por Pedro Malan - eu não sou Pedro Malan", respondeu o presidente quando um jornalista perguntou sobre o grau de envolvimento do ministro na operação de socorro aos bancos Makra e FonteCindam. "O próprio Pedro Malan disse que não tinha sido informado sobre o assunto, então o que é que eu posso acrescentar ao que já foi dito?" O ministro - disse Fernando Henrique - "é um homem responsável e um funcionário público leal".
A John Welsh, economista chefe do Paris Bas e um dos convidados para o jantar oferecido na segunda-feira à noite para Fernando Henrique, o presidente disse que o Brasil tem mais a ganhar do que a perder com a CPI. "Muitas discussões que começam quase de forma irresponsável acabam colocam na mesa questões importantes", disse. "Nesse caso, está sendo colocado em evidência a necessidade de um código de ética".
Welsh lembrou que nos EUA qualquer pessoa que saia do setor privado para trabalhar no Federal Reserve (Banco Central americano) tem que antes declarar todos os seus bens e não pode receber nenhum tostão, além de seu salário. Até as palestras são controladas, para não haver perigo de alguém receber informação privilegiada. A CPI, no Brasil, segundo Welsh, possivelmente leve à adoção de códigos parecidos.

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