FHC diz não se preocupar com desgaste da imagem
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Isabel Braga 
Santiago, 10 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje não estar preocupado com o desgaste da imagem dele junto à opinião púbica em razão da demora no anúncio do reajuste do salário mínimo. "Eu não me abalo com isso de desgaste porque não sou um demagogo", afirmou hoje o presidente
na embaixada brasileira no Chile. Segundo o presidente, o valor do reajuste será anunciado "no momento certo", quando ele puder dizer quanto é possível e para posterior negociação com o Congresso.
Em tom irônico, o presidente indagou aos jornalistas que perguntavam sobre o aumento do mínimo: "Se tivesse uma fórmula mágica, vocês não acham que eu já teria feito?", indagou o presidente. "Eu não tenho medo do desgaste, estou acostumado ao desgaste e sou uma pessoa que tem compromisso com melhorar a renda das pessoas, não de forma que engane, mas de forma permanente", insistiu.
Fernando Henrique voltou a criticar o leilão de números para o novo valor do mínimo e a cobrar dos políticos e opositores que apresentem as fontes de recursos que garantirão um maior reajuste do salário. "Não era a hora de discutir, a discussão ficou política antes da hora", comentou o presidente. "Ficou uma espécie de disputa para saber quem oferece mais sem pensar de onde tira e só agora o Congresso está pensando nisso"
continuou.
O presidente responsabilizou o sistema capitalista pela concentração de renda nos países e disse que isso motiva o governo a estar sempre discutindo fórmulas de distribuir renda, como o maior aumento para o salário mínimo. Fernando Henrique salientou que, quando foi criado, no governo Getúlio Vargas, na década de 40, o salário mínimo era pago a 70% da população economicamente ativa. Mas que hoje, apenas 4% dos brasileiros no setor privado recebem esse valor.
O presidente prometeu distribuir à imprensa gráficos mostrando que, mesmo com todas as dificuldades econômicas, o salário mínimo no governo dele não perdeu a capacidade de compra. Ele insistiu que a atenção principal do governo, atualmente, é a de garantir o maior reajuste possível para o mínimo porque o grosso dos trabalhadores que o recebem é de aposentados rurais que nunca contribuíram para a aposentadoria.
"É uma espécie de renda mínima, necessária, e tudo que puder ser feito para melhorar a qualidade de vida da população deve ser feito", disse o presidente, acrescentando: "Só não pode enganar." Fernando Henrique explicou que enganar significa dar um reajuste para o mínimo que seja maior do que a possibilidade de haver distribuição efetiva de renda e provoque aumento da inflação e desemprego. "Não é uma questão que tem de competir com a demagogia e sim com a vontade efetiva - que eu tenho - de melhorar a vida dos mais pobres."
Depois de posar para fotos ao lado do ministro da Saúde, José Serra, Fernando Henrique negou que as declarações publicadas na revista Época desta semana tenham abalado a relação entre os dois. Segundo Fernando Henrique, não há razão para Serra estar chateado com ele. "Ele não pode ter ficado chateado de eu dizer que ele é competente", completou.


