Brasília, 27 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, por intermédio do porta-voz Georges Lamazire, esperar do PFL uma postura "responsável e consciente" para com as necessidades do País. Fernando Henrique afirmou que "espera apoio" do PFL ao novo mínimo e à solução encontrada que permite aos Estados fixar pisos salariais mais elevados, sem prejudicar as contas públicas.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciou hoje que vai liberar a bancada para derrubar o mínimo de 151 reais e que votará "de acordo com a sua consciência", por um salário de 180 reais.
FHC reagiu também às críticas dos principais opositores do valor de 151 reais estabelecido para o salário mínimo. Em tom irônico, Fernando Henrique rebateu ainda a declaração do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que o chamou de "miserável" e provocou o deputado Paulo Paim (PT-RS) a lutar por um piso salarial maior no Estado dele, governado pelo PT.
Para comentar as críticas de Garotinho, Fernando Henrique referiu-se ao principal problema enfrentado hoje pelo Estado: denúncias de corrupção na área de segurança. "O governador deve estar aflito com a situação de segurança no Rio de Janeiro e, talvez por isso, tenha feito declarações tão despropositadas", observou o presidente, de acordo com Lamazire. Em entrevista publicada nos jornais do fim de semana, Garotinho chamou o presidente de "miserável" por conceder um mínimo de 151 reais e prometeu repor "o que o presidente tirou", pagando um piso salarial de 400 reais, a partir de 1 de maio.
Fernando Henrique provocou Paim, que apresentou hoje emendas ao texto da medida provisória (MP), elevando o mínimo para 180 reais. "O deputado deveria cobrar pisos salariais maiores na sua própria área de atuação, que é o Rio Grande do Sul", afirmou o presidente. Dos três Estados governados pelo PT - Rio Grande do Sul, Acre e Mato Grosso do Sul -, os dois primeiros anunciaram que não podem pagar mais do que os 151 reais.
O presidente tem anunciado que o valor concedido pelo governo é "insuficiente", mas que foi o possível, sem afetar o ajuste fiscal. Ele descartou a proposta anunciada no fim da semana passada de conceder um abono de 10 reais, lembrando que esse auxílio custaria R$ 2 bilhões aos cofres público. Fernando Henrique tem lembrado aos que o atacam que, desde o início do governo, concedeu aumento real de 33% ao mínimo e que, somente este ano, foi dado 5% acima da inflação.

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